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A Polícia Civil de São Paulo deflagrou, na manhã desta quarta-feira (21), uma operação para investigar um esquema de venda ilegal de camarotes no estádio do Morumbis, pertencente ao São Paulo Futebol Clube. Ao todo, foram cumpridos quatro mandados de busca e apreensão na capital paulista contra três pessoas investigadas.
Entre os alvos da operação estão Douglas Schwartzmann, diretor-adjunto das categorias de base do São Paulo, e Mara Casares, ex-esposa de Julio Casares — presidente afastado do clube — que ocupava o cargo de diretora feminina, cultural e de eventos. Também é investigada Rita Adriana, apontada como responsável pela negociação irregular dos espaços VIP.
A ação é conduzida pelo Ministério Público e pela Polícia Civil. Segundo o promotor José Reinaldo Carneiro Guimarães, responsável pelo caso, o estádio teria sido transformado em uma “gigantesca máquina de caça-níqueis”, beneficiando interesses pessoais e não o clube. “As evidências mostram que o São Paulo é vítima de tudo o que está acontecendo”, afirmou.
As investigações ganharam força após a divulgação, em dezembro de 2025, de áudios pelo portal ge.com. As gravações indicariam a existência de um esquema clandestino de comercialização de camarotes durante eventos realizados no Morumbis, incluindo o show da cantora Shakira. Em um dos trechos, Douglas Schwartzmann fala sobre a divisão de lucros: “Teve negócio aí que você ganhou dinheiro, eu ganhei, todo mundo ganhou, mas foi feito tudo na confiança”.
Após a repercussão do caso, Douglas e Mara pediram licença de seus cargos. As defesas negam qualquer irregularidade e alegam que os áudios foram retirados de contexto.
Em nota, a Secretaria da Segurança Pública de São Paulo informou que a operação é realizada pela 3ª Delegacia da Divisão de Investigações sobre Crimes contra a Administração (DPPC) e que as diligências seguem em andamento. O Ministério Público requisitou a abertura de inquérito para aprofundar as apurações.
O São Paulo Futebol Clube declarou, também por meio de nota, que é vítima no caso e que irá colaborar com as autoridades. Internamente, o clube instaurou duas sindicâncias — uma interna e outra externa, com auditoria independente — para apurar os fatos.
O episódio se soma a um momento delicado vivido pelo São Paulo, que enfrenta uma grave crise política e institucional. Além das investigações em curso, o clube passou recentemente pelo afastamento de Julio Casares da presidência, após votação de impeachment no Conselho Deliberativo.