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A ministra Cármen Lúcia, do Supremo Tribunal Federal (STF), fez um diagnóstico severo sobre a atual situação da Justiça brasileira. Durante uma palestra para estudantes de Direito na Fundação Getúlio Vargas (FGV), no Rio de Janeiro, nesta sexta-feira (17), a magistrada reconheceu que a descrença da população nas instituições judiciais atingiu um nível alarmante.
“A crise de confiabilidade do Poder Judiciário é séria, grave, precisa ser reconhecida e não apenas por nós, juízas e juízes”, afirmou a ministra.
Para Cármen Lúcia, embora o Brasil enfrente desafios específicos, a perda de credibilidade das instituições — tanto públicas quanto privadas — é uma tendência mundial. Ela classificou o cenário como uma “crise de desconfiança global”, ressaltando que o fim de parâmetros tradicionais obriga o Direito a lidar com temas cada vez mais complexos.
“Aquele mundo com parâmetros postos acabou e estamos vivendo outro”, pontuou. No entanto, ela alertou para os perigos de movimentos internacionais que buscam enfraquecer o Judiciário, o que geraria uma “fragilidade do direito”.
A ministra não fugiu da autocrítica em relação à própria Corte, admitindo que o tribunal está sob escrutínio constante.
“Temos no Brasil o problema da confiabilidade, principalmente no Supremo, tenho ciência. Mas é preciso saber por que e como. Há equívocos e erros que precisam ser aperfeiçoados”, declarou.
O reconhecimento da crise ocorre em um momento de extrema fragilidade para o STF, após revelações que ligam membros da Corte e seus familiares ao escândalo do Banco Master.
O Tribunal tornou-se o centro das atenções com a descoberta de um contrato milionário entre o banco e a advogada Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro Alexandre de Moraes. Além disso, foram identificadas trocas de mensagens entre Moraes e Daniel Vorcaro no dia da primeira prisão do banqueiro, em novembro de 2025.
Outro foco de desgaste envolve o ministro Dias Toffoli. Informações indicam que uma empresa da qual ele é sócio teria recebido repasses de um fundo ligado ao Banco Master. Após a divulgação dos fatos, Toffoli deixou a relatoria das investigações e declarou-se suspeito para atuar em julgamentos relacionados ao caso.