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A crescente incidência de queimadas na Amazônia tem causado uma significativa deterioração da qualidade do ar, fazendo com que cidades do interior da floresta registrassem os índices mais altos de poluição do ar em todo o Brasil. É o que revela o policy brief “Desafios e perspectivas do monitoramento da qualidade do ar na Amazônia Legal”, elaborado pela Coalizão Respira Amazônia, com a participação do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (IPAM). O relatório destaca que a região tem experimentado uma crise ambiental sem precedentes, impulsionada principalmente pelos incêndios florestais e pela utilização do fogo no manejo do solo.
“As áreas com o ar mais poluído do Brasil estão justamente no coração da Amazônia por conta das queimadas. Essa é uma agenda fundamental para o Brasil. Estamos acostumados a falar da qualidade do ar em grandes cidades por conta da queima de combustíveis fósseis e da indústria, mas não falamos da poluição no interior da floresta”, destacou Ane Alencar, diretora de Ciência do IPAM e uma das autoras do documento.
Segundo o relatório World Air Quality, 13 das 38 cidades com a pior qualidade do ar no Brasil estão localizadas na Amazônia Legal, impulsionadas pelas queimadas e incêndios florestais, que aumentaram 116% no bioma entre janeiro e agosto de 2024, atingindo 11 milhões de hectares. O uso do fogo para manejo do solo e áreas recentemente desmatadas libera grande quantidade de poluentes nocivos, como material particulado em suspensão e monóxido de carbono.
Risco à Saúde
Além dos impactos das queimadas, o policy brief destaca os efeitos da baixa qualidade do ar no modo de vida dos povos indígenas e comunidades tradicionais da Amazônia. Apesar de viverem em áreas preservadas, o ar poluído pelas queimadas tem causado sérias consequências na saúde, no desenvolvimento infantil e na rotina desses grupos. Também foram destacadas as dificuldades enfrentadas pela implementação das políticas públicas brasileiras no setor, especialmente nos territórios de mais difícil acesso.
“A gente não pode esquecer das comunidades tradicionais. Monitorar as cidades é importante, mas, no Xingu, um sensor mostrou que o ar estava 53 vezes pior do que o recomendado pela OMS [Organização Mundial de Saúde]. Quem protege a floresta deveria estar respirando um ar puro, mas fica com um ar mais sujo que o da Avenida Paulista. Por isso temos antenas instaladas com energia solar em diversas comunidades tradicionais e extrativistas da Amazônia, porque é esse pessoal que mais tem vivido a calamidade pública da qualidade do ar”, alerta Filipe Viegas, pesquisador do IPAM que trabalhou na instalação dos sensores.