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Uma segunda comissão de estudo do Vaticano concluiu que as mulheres não devem ser ordenadas diáconos, representando mais um revés para as católicas que esperam, um dia, poder presidir casamentos, batizados e funerais.
Nesta quinta-feira (3), o Vaticano divulgou de forma incomum uma síntese das conclusões da comissão, incluindo as votações dos membros sobre questões teológicas específicas. Embora o relatório tenha deixado em aberto a possibilidade de estudos futuros, sugeriu a criação de novos ministérios leigos para mulheres fora do diaconato ordenado.
O diaconato é composto por ministros ordenados que exercem muitas das mesmas funções dos padres, como celebrar casamentos, batizados e funerais. Podem pregar, mas não podem celebrar missa. Para seminaristas homens, o diaconato funciona como um passo de transição para a ordenação sacerdotal. Homens casados também podem ser ordenados diáconos permanentes. As mulheres, no entanto, não podem, embora historiadores afirmem que, na Igreja primitiva, existiram mulheres servindo como diáconos.
Em 2016, o papa Francisco criou a primeira comissão de estudo sobre o tema a pedido da União Internacional de Superioras Gerais, que reúne ordens religiosas femininas do mundo. Após o aparente insucesso desse grupo, uma segunda comissão foi criada em 2020, presidida pelo cardeal Giuseppe Petrocchi, que publicou seu relatório nesta quinta-feira.
Petrocchi concluiu que existem duas correntes teológicas atualmente irreconciliáveis sobre o tema. Uma corrente permitiria o diaconato feminino; a outra, não. Diante do impasse, o relatório afirma que “o estado atual da pesquisa descarta a possibilidade de admitir mulheres ao diaconato como um grau do sacramento da Ordem Sagrada”, mas mantém aberta a possibilidade de estudos futuros.
Mulheres católicas buscam maior reconhecimento ministerial
Mulheres católicas realizam grande parte do trabalho da Igreja em escolas e hospitais e costumam ser responsáveis por transmitir a fé às novas gerações. No entanto, há anos denunciam seu status secundário em uma instituição que reserva o sacerdócio apenas aos homens. Elas pressionam por maior participação em cargos de gestão e funções ministeriais.
Defensores do diaconato feminino afirmam que isso daria às mulheres maior papel no ministério e na governança da Igreja, além de ajudar a suprir a escassez de padres em algumas regiões, permitindo que desempenhem funções tradicionalmente sacerdotais. Por outro lado, opositores argumentam que ordenar mulheres seria o início de um caminho perigoso rumo à ordenação sacerdotal feminina, reservada apenas a homens segundo a tradição da Igreja, já que Cristo escolheu apenas homens como seus doze apóstolos.
O papa Francisco, até agora, permitiu o debate, adiando qualquer decisão definitiva. O tema foi discutido durante o Sínodo da Amazônia em 2019 e novamente no sínodo de reforma de maior alcance de 2024, quando pediu que a questão permanecesse aberta.
No entanto, um grupo de estudo especial sobre diaconisas entregou sua pesquisa à comissão Petrocchi no início deste ano, praticamente encerrando os trabalhos. Petrocchi destacou que o tema é relevante apenas em alguns países, e que apenas 22 propostas foram recebidas, número considerado pouco representativo da Igreja global.
Papa León XIV e líderes eclesiásticos mantêm cautela
O Papa León XIV ordenou a publicação do relatório de síntese de Petrocchi, sugerindo que, para ele, o tema está agora fechado. O ex-cardeal Robert Prevost já afirmou que mulheres não podem ser ordenadas sacerdotes e se mostrou evasivo quanto à possibilidade de mulheres servirem como diáconos. Em 2023, Prevost afirmou que transformar mulheres em clérigos “não necessariamente resolve um problema, poderia criar um novo”.
Phyllis Zagano, pesquisadora da Universidade Hofstra (Nova York) e membro da comissão de 2016, criticou o relatório, afirmando que ele “apresenta o tema de forma negativa”, argumentando que, “como a ordenação sacerdotal é proibida às mulheres, não podem ser ordenadas diáconos”. Segundo ela, “o extenso relatório não apresenta evidências ou argumentos teológicos, apenas a opinião de que mais estudos são necessários. Em resumo, não podem dizer não, mas também não querem dizer sim”.
(Com informações da AP)