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O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, subiu o tom nesta quarta-feira ao ameaçar retomar os bombardeios contra o Irã. O mandatário acusou os negociadores iranianos de estarem “fazendo os EUA de idiotas”, em uma forte escalada retórica que enterrou, de imediato, as expectativas de um acordo diplomático que o próprio Trump havia alimentado horas antes.
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“Nós vamos atacá-los, e muito severamente”, declarou Trump a jornalistas no Salão Oval. “Estávamos muito perto de um acordo, mas eles continuam nos enrolando, continuam nos fazendo de idiotas.”
Mais cedo, em sua rede social Truth Social, o presidente americano afirmou que o exército iraniano é “um completo desastre” e que grande parte de suas forças, incluindo a Marinha e a Força Aérea, “já nem sequer existe”. “O valentão do Oriente Médio está MORTO!”, escreveu.
A mudança radical de postura contrasta com as declarações do próprio Trump na última segunda-feira, quando ele sugeriu que um acordo para encerrar o conflito poderia ser alcançado em questão de dias.
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O estopim da nova crise
O novo pico de hostilidades foi desencadeado pela colisão entre um helicóptero de ataque Apache do Exército dos EUA e um drone iraniano perto do Estreito de Ormuz, na terça-feira. A informação foi confirmada por um funcionário do governo americano sob condição de anonimato, já que as investigações ainda estão em curso.
Ainda não está claro se a colisão foi intencional. Os dois tripulantes do helicóptero foram resgatados sem ferimentos.
Em resposta, Washington acionou caças-bombardeiros para atacar sistemas de defesa aérea, estações de controle terrestre e radares iranianos, segundo o Comando Central dos EUA (Centcom). O Irã reconheceu os ataques nas regiões de Bandar Abbas e na Ilha de Qeshm, mas não detalhou a extensão dos danos.
A reação de Teerã veio em forma de mísseis disparados contra bases americanas na Jordânia, Bahrein e Kuwait. O governo jordaniano informou ter derrubado cinco mísseis que tinham como alvo a base aérea de Muwaffaq Salti — que abriga caças F-35 dos EUA —, sem registrar baixas. Bahrein e Kuwait também confirmaram a interceptação de projéteis, mas não deram detalhes.
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Teerã revisa postura nas negociações
O chanceler iraniano, Abbas Araqchi, condenou as ações americanas, classificando-as como uma violação da soberania do país, em telefonemas com seus homólogos da Turquia e da Arábia Saudita. Segundo seu gabinete, Araqchi reforçou o “direito inerente de autodefesa, incluindo ações recíprocas”.
O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmail Baghaei, foi além: em pronunciamento na TV, anunciou que o país irá revisar sua postura nas negociações para o fim da guerra diante dos novos ataques.
Apesar da tensão, os esforços de mediação continuam nos bastidores. Após consultas com Washington, uma delegação do Catar desembarcou em Teerã nesta quarta-feira para conversações bilaterais.
Impasse diplomático
As divergências centrais entre as potências seguem profundas:
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Exigência dos EUA: Washington exige que o Irã entregue todo o seu estoque de urânio altamente enriquecido.
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Exigência do Irã: Teerã se recusa e exige o fim das sanções econômicas e a liberação de ativos congelados antes mesmo de um acordo final, termos que Trump já rejeitou.
O Irã também exige que qualquer termo inclua o cessar-fogo entre Israel e o Hezbollah no Líbano. A condição foi descartada pelo primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu: “Israel continuará agindo com contundência contra o Irã e seus aliados”, declarou nesta quarta-feira.
Impacto na economia global e inflação nos EUA
Desde que os Estados Unidos e Israel iniciaram a guerra em 28 de fevereiro com ataques ao território iraniano, o conflito tem abalado a economia global, disparando os preços da energia e encarecendo alimentos e commodities no mundo todo.
Nesta quarta-feira, o barril de petróleo de referência internacional (Brent) operava acima dos US$ 92, uma alta de mais de 25% na comparação com o período anterior ao início da guerra.
Refletindo o cenário de guerra, os EUA divulgaram nesta quarta-feira os dados da inflação: o Índice de Preços ao Consumidor (IPC) de maio subiu 4,2% na comparação anual, o nível mais alto desde abril de 2023. O avanço foi impulsionado pelo choque energético decorrente do bloqueio no Estreito de Ormuz.
O indicador azedou o humor do mercado financeiro: o índice Dow Jones registrava queda de cerca de 264 pontos após a divulgação, e analistas já projetam pelo menos mais um aumento nas taxas de juros pelo Federal Reserve (o Banco Central americano) antes do fim do ano.

























































