quarta-feira, 21 de abril de 2021

Argentina reage com forte panelaço após  Alberto Fernández minimizar escândalo da “Vacinação VIP”

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RFI – Milhares de argentinos se manifestam com panelas nas janelas e com buzinas pelas ruas contra o discurso do presidente Alberto Fernández, que minimizou o caso de vacinas desviadas para pessoas  próximas ao poder nesta segunda (1°). O panelaço acontece dois dias depois de maciças manifestações que pediram a renúncia de todos os envolvidos. 

O país aguardava uma autocrítica por parte do presidente argentino durante o seu discurso de abertura do ano legislativo no Congresso, mas, em vez disso, Alberto Fernández minimizou a gravidade do escândalo, provocando uma forte reação popular durante a noite nas principais cidades do país, especialmente em Buenos Aires.

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Depois das 20 horas e por cerca de 20 minutos, das varandas, das janelas e dos automóveis, ecoaram o som metálico das panelas e o de uma improvisada sinfonia de buzinas em tom de protesto. Todos atendiam à campanha que tinha começado a circular através das redes sociais sob o lema “É suficiente! Dizemos Basta!”.

Em frente à residência presidencial, manifestantes levaram as panelas à rua numa tentativa de se fazerem escutar por Alberto Fernández, que classificou como “um erro” o esquema de vacinas aplicadas em ministros, legisladores e políticos aliados fora da prioridade estabelecida para o pessoal da Saúde e idosos.

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“No nosso plano de vacinação, há prioridades muito claras. As regras devem ser cumpridas. Se forem cometidos erros, a vontade deste presidente é a de reconhecê-los e a de corrigi-los de imediato”, discursou Alberto Fernández, que deu o escândalo por encerrado, no dia 19 de fevereiro, com a renúncia do então ministro da Saúde, Ginés González García.

“Tomei as decisões que cabiam. Todos os governos sensíveis têm a obrigação de corrigir esses erros para acabar com qualquer indício de privilégio ou de falta de solidariedade”, completou Fernández no que foi considerado uma autocrítica superficial.

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“Não foi um mero erro. Foi um planejamento de vacinação de privilégio que agora o presidente tenta minimizar. O alcance completo do esquema ainda está por ser revelado”, garante à RFI Brasil o médico neurologista e analista político, Nelson Castro.

Segunda manifestação em dois dias

O repúdio à falta de punição aos culpados já tinha motivado um forte protesto no sábado (27), quando milhares de pessoas foram às ruas para exigir a renúncia coletiva de todos os envolvidos no escândalo denominado “Vacinação VIP”.

O protesto teve epicentro na Praça de Maio, em frente à Casa Rosada, sede do governo argentino, e réplicas nas principais cidades do país. Bandeiras argentinas, buzinas, cornetas e panelas compuseram um cenário de indignação.

Segundo uma lista divulgada pelo próprio governo, 70 “amigos do poder”, incluindo ministros, ex-ministros, legisladores, um embaixador (no Brasil), um ex-presidente e vários parentes dos beneficiados foram imunizados com as vacinas que pertenciam, por ordem de prioridades, ao pessoal da Saúde e aos idosos.

Indignação, raiva e nojo

Segundo a consultora Synopsis, mais de 70% dos argentinos não acreditam que a lista esteja completa, sobretudo porque, em diversos municípios, prefeitos e seus parentes foram vacinados, além de centenas de militantes aliados ao governo.

Consultados pela Synopsis sobre o sentimento que o escândalo desperta em cada um, 19,4% dos entrevistados responderam “indignação”; 12,7%, “raiva”; e 9,2% disseram ter “nojo”.

O presidente Alberto Fernández criticou a manifestação de sábado em plena pandemia e pediu aos seus seguidores que não saíssem de casa.

“Cuidemos do próximo mesmo que outros não o façam”, disse Fernández.

“Quando Alberto Fernández pede que cuidem do próximo, mas vacina os amigos privilegiados, provoca ainda mais uma reação popular. É muito cinismo. Cada vez mais perde capital político e popularidade”, avalia a analista política Sabrina Ajmechet, da Universidade de Buenos Aires.

“Este é um protesto muito tangível porque o escândalo afeta de perto todas as pessoas que entendem que as vacinas desviadas eram para os seus pais, avós, amigos ou conhecidos de grupos de risco. E o escândalo abala um dos principais pilares da democracia: o da igualdade”, conclui Ajmechet.

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