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Em um dia marcado por reviravoltas, o mercado financeiro brasileiro teve fortes oscilações nesta quarta-feira (30), influenciado pela assinatura da ordem executiva do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que elevou as tarifas sobre produtos brasileiros para 50%. O dólar comercial fechou em alta de 0,38%, cotado a R$ 5,58, enquanto o Ibovespa avançou 0,95%, aos 133.989 pontos.
A notícia inicial sobre o tarifaço provocou tensão imediata no câmbio e na Bolsa, com o dólar chegando a subir 0,9% e ações de exportadoras, como a Embraer (EMBR3), registrando queda de até 2%. No entanto, a divulgação da íntegra da ordem executiva, com uma lista de exceções, inverteu a direção dos mercados. Produtos como suco de laranja, celulose, aeronaves civis e itens de energia ficaram de fora das sobretaxas, o que trouxe alívio e euforia aos investidores. As ações da Embraer, que operavam em queda, dispararam após a divulgação do documento.
Apesar da reação positiva no Brasil, o ambiente internacional seguiu instável. Nos Estados Unidos, o PIB do segundo trimestre superou expectativas, mas os principais índices acionários encerraram o dia no vermelho. O Federal Reserve manteve as taxas de juros inalteradas, mas a decisão não foi unânime. O presidente do Fed, Jerome Powell, frustrou expectativas ao afirmar que não há cortes de juros à vista, o que contribuiu para o mau humor em Wall Street.
Na Europa, a economia também apresentou resultados melhores do que o esperado no segundo trimestre de 2025, mas os mercados reagiram com cautela e encerraram o dia praticamente estáveis.
No Brasil, outro fator que gerou apreensão nos mercados foi a aplicação da Lei Magnitsky contra o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, por parte do Tesouro dos EUA. A medida foi anunciada no mesmo dia em que o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, deveria iniciar conversas sobre as tarifas com o secretário do Tesouro norte-americano, Scott Bessent — o mesmo que assinou a nota acusando Moraes de liderar uma “caça às bruxas ilegal”. A fala foi reforçada por Marco Rubio, secretário de Estado, que declarou: “Togas não podem protegê-los”.
A possibilidade de sanções a exportações brasileiras devido a relações comerciais com a Rússia, especialmente na área de fertilizantes, também foi mencionada por parlamentares que acompanham a situação nos EUA.
Embora a inclusão de diversas exceções à tarifa tenha aliviado o mercado no curto prazo, analistas destacam que a instabilidade persiste. Os EUA já anunciaram novas tarifas contra a Índia, válidas a partir de 1º de agosto, e alertaram que outros países que mantiverem negócios com a Rússia podem sofrer penalidades semelhantes. Apesar disso, o secretário Scott Bessent sinalizou que, após o início de agosto, “há chances de novos acordos comerciais serem firmados”.