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Um novo dispositivo portátil foi capaz de detectar câncer de mama com 100% de precisão em um pequeno estudo conduzido nos Estados Unidos, segundo pesquisadores da Universidade de Saúde da Flórida. O teste, feito por meio da análise de saliva, promete ser uma alternativa mais acessível, confortável e barata aos exames tradicionais de rastreamento, como mamografias.
Os resultados foram divulgados na segunda-feira (4) pela HealthDay News. Apesar de ainda estar em fase inicial — o estudo analisou apenas 29 amostras de saliva —, os cientistas consideram os dados promissores. “É muito empolgante porque este dispositivo pode melhorar o acesso à detecção precoce e reduzir significativamente os custos com saúde”, afirmou o oncologista Coy Heldermon, um dos autores da pesquisa. “Se tudo isso for verdade, mudaria as regras do jogo.”
O equipamento, descrito como um biossensor, detecta biomarcadores específicos do câncer de mama presentes na saliva. Segundo os pesquisadores, ele é pequeno o suficiente para caber na palma da mão e pode ser usado pelo próprio paciente em casa. Em testes, o dispositivo identificou corretamente todos os casos positivos e teve uma taxa de acerto de 86% entre as pessoas que não tinham a doença.
Para a autora principal do estudo, a dentista e pesquisadora Josephine Esquivel-Upshaw, o dispositivo também tem uma importância pessoal: sua mãe morreu de câncer de mama, e ela mesma realiza mamografias e ressonâncias a cada seis meses por estar em grupo de risco. “É um transtorno e pode ser desanimador. Eu preferiria coletar uma simples amostra de saliva em casa para orientar os próximos passos”, disse.
A tecnologia foi desenvolvida em parceria com o professor de engenharia elétrica Yu-Te Liao, da Universidade Nacional Yang Ming Chiao Tung, em Taiwan. O biossensor utiliza tiras reagentes multicanais conectadas a uma placa de circuito. Após o contato da tira com a saliva por cerca de três segundos, ela é inserida no dispositivo, que se conecta a um aplicativo para fornecer os resultados em tempo real.
A expectativa dos pesquisadores é que o equipamento seja usado inicialmente como ferramenta de triagem, ajudando a indicar se há necessidade de exames complementares, como mamografia. “Isso é muito mais prático e teria uma aceitação muito melhor entre os pacientes”, destacou Heldermon.
Com patentes já registradas, a equipe agora testa novas combinações de biomarcadores salivares para aprimorar a precisão do exame. A ideia é, no futuro, expandir o uso da tecnologia para a detecção de outros tipos de doenças. Os resultados do estudo foram publicados na revista científica Biosensors.