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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva declarou nesta terça-feira (12) que os Estados Unidos demonstram “um pouco de ciúmes” da participação do Brasil no grupo dos Brics. Em entrevista ao jornalista Reinaldo Azevedo, no programa É da Coisa, da Rádio BandNews, Lula afirmou que o Brasil não impôs “nenhum empecilho” às negociações com os EUA sobre a sobretaxa aplicada a produtos brasileiros.
O presidente também defendeu a criação de uma moeda comum para os países do Brics como alternativa ao dólar. Apesar de críticas ao presidente Donald Trump, Lula afirmou estar aberto ao diálogo e espera que possa encontrar Trump para conversar. No entanto, ele afirmou: “Possivelmente a gente se encontre, possivelmente não. De qualquer forma, o meu discurso não está dependendo de eu conversar com ele, não”.
Lula anunciou ainda que, na próxima semana, deve telefonar para líderes europeus, como o presidente da França, o primeiro-ministro da Alemanha, o primeiro-ministro do Reino Unido, o presidente da África do Sul e Ursula von der Leyen, presidente da Comissão Europeia. Sobre Trump, disse: “Eu não vou chamar ninguém num campo de golfe”, em referência a uma reunião informal do presidente americano.
Em relação à sobretaxa, Lula informou que deve assinar nesta quarta-feira (13) uma medida provisória que cria uma linha de crédito de R$ 30 bilhões para ajudar empresas brasileiras afetadas pela sobretaxa de 50% aplicada pelos EUA.
O presidente também mencionou ter enviado uma carta a Trump convidando-o para a COP30, que será realizada em Belém. “Ele não precisa gostar de mim, eu não preciso gostar dele. Ele só tem que gostar do Brasil e eu gostar do povo americano”, afirmou.
Lula comentou ainda sobre o saldo comercial entre os dois países nos últimos 15 anos, alegando que o Brasil teve déficit de 400 bilhões de dólares. Segundo ele, “não era o Trump que deveria estar taxando o brasileiro, nós deveríamos estar taxando os americanos”.
O petista também relacionou a criação do Brics e do G20 à crise econômica global de 2008, provocada pelos Estados Unidos, dizendo: “É importante a gente não esquecer que o Brics foi criado, que o G20 foi criado por conta da crise causada pelos Estados Unidos com o subprime em 2008”.
Apesar de o relacionamento entre Brasil e EUA ter se complicado após a cúpula do Brics no Rio de Janeiro, o Ministério das Relações Exteriores afirma que as relações bilaterais permanecem estáveis e devem ser ampliadas.
Internamente, o governo trabalha para implementar as medidas de apoio aos setores afetados pela sobretaxa, buscando evitar impactos negativos nas contas públicas. O anúncio oficial das ações está previsto para esta quarta-feira.