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A deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP) criticou duramente a direção nacional de sua legenda nesta terça-feira (23), acusando o partido de descumprir acordos eleitorais e distribuir recursos de campanha de forma desigual, em detrimento de candidaturas negras, transsexuais e periféricas. A parlamentar publicou um longo desabafo em seu perfil no X (antigo Twitter).
De acordo com Hilton, as ações da cúpula do PSOL simbolizam o “privilégio branco e cis se sobrepondo a tudo: os acordos feitos conosco, cálculos eleitorais sérios”. Ela afirmou que o partido ignorou critérios de gênero, raça e deficiência ao definir os repasses nacionais, inviabilizando candidaturas com maior potencial de votos em favor de um perfil específico de postulantes.
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Desigualdade nos repasses
A deputada citou dois casos concretos para embasar a acusação. Ela afirmou que Juliano Medeiros, presidente da Federação PSOL-Rede e estreante em campanhas eleitorais, receberia prioridade equivalente à dela na distribuição de recursos. Já Manuela D’Ávila, que era filiada ao PCdoB e, segundo Hilton, “acabou de chegar”, teria previsão de receber mais do dobro do valor destinado à deputada paulista.
“Respeito a trajetória deles e adoraria vê-los eleitos, mas isso é o privilégio branco e cis sobrepondo tudo: os acordos feitos conosco, cálculos eleitorais sérios. A inteligência política passou longe”, criticou.
Críticas ao padrão de distribuição
A parlamentar também mencionou casos fora de São Paulo. No Rio de Janeiro, apontou que as lideranças Renata Souza e Rick Azevedo enfrentam situação semelhante. Hilton lembrou que, em pleitos anteriores, o partido subestimou Azevedo na distribuição de verbas; ele fez campanha com esforço próprio e terminou como o mais votado do PSOL no estado fluminense. Na avaliação dela, a sigla está prestes a repetir o mesmo erro. O deputado estadual Carlos Giannazi, em São Paulo, também foi citado como alvo do mesmo padrão.
Política de inclusão desmontada
Hilton destacou sua condição como mulher negra e travesti para disputar a reeleição em São Paulo, o maior colégio eleitoral do país. Ela argumentou que fazer campanha exige logística e um esquema de segurança de alto custo, e que a burocracia partidária ignorou essa realidade ao definir os repasses.
A deputada afirmou que o PSOL desmontou sua própria política nacional de inclusão, que garantia ajustes financeiros para esses grupos, exatamente no momento em que o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) reconheceu a importância desse mecanismo. “Comandado por Paula Coradi, presidenta nacional, o PSOL simplesmente desmontou a sua política nacional de inclusão que garantia repasses nacionais justos com ajustes por gênero, raça e para pessoas com deficiência (PCD), exatamente no momento em que o próprio Tribunal Eleitoral reconhece a importância histórica e a necessidade dessa política. É um retrocesso inaceitável”, escreveu.
Aliança com o governo federal
No desabafo, a parlamentar defendeu que a política real se faz com transparência e propósito, sem esconder os problemas internos. “Eu e muitas lideranças decidimos ficar no PSOL para ajudar o partido a superar a cláusula de barreira, porque nossa responsabilidade nestas eleições é gigante: dar nosso melhor, tudo de nós, para reeleger o presidente Lula e garantir uma bancada de esquerda mais forte, maior, para sustentar o governo e disputar a sociedade”, afirmou.
“O que não podemos aceitar é a falta de transparência e o suicídio político de sufocar quem tem a força popular para garantir a sobrevivência do partido. Nós ficamos no PSOL para superar a cláusula de barreira e eleger bancadas fortes. Agora, exigimos que a direção cumpra a sua palavra”, concluiu.




















































