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O Congresso do Peru destituiu nesta terça-feira (17) o presidente interino do país, José Jeri, após apenas quatro meses no cargo. A decisão foi tomada por maioria simples, em meio a uma série de denúncias envolvendo encontros não declarados com empresários chineses e suspeitas de irregularidades administrativas, aprofundando a instabilidade política no país andino.
A moção de censura foi aprovada com 75 votos favoráveis, 24 contrários e três abstenções. O anúncio oficial foi feito por Fernando Rospigliosi, que declarou vaga tanto a presidência do Congresso quanto, automaticamente, a presidência da República.
Com a destituição, o Parlamento deverá eleger nesta quarta-feira um novo presidente do Congresso, que assumirá interinamente o comando do país até 28 de julho. O sucessor de Jeri será o oitavo presidente do Peru em oito anos — um reflexo da crescente rotatividade no poder e da crise institucional que marca a última década.
Escândalos e queda de popularidade
Jeri se tornou o sétimo chefe de Estado a deixar o cargo nos últimos dez anos. Sua situação política se deteriorou após denúncias de contratações e ingressos irregulares de mulheres no Palácio de Governo por meio do Fundo de Apoio Gerencial.
A crise ganhou força com a divulgação de imagens em que o então presidente aparecia entrando encapuzado em um restaurante ao lado de empresários chineses, episódio que ficou conhecido como “Chifagate”. Reportagens também revelaram festas privadas com congressistas, ministros e pessoas ligadas a uma suposta rede de prostituição no Parlamento, além do vazamento de mensagens e imagens com colaboradoras que posteriormente obtiveram contratos com o Estado.
O desgaste foi refletido nas pesquisas. Levantamentos dos institutos Ipsos e Imasen apontaram índices de desaprovação de 61% e 70,4%, respectivamente.
Aliados de Jeri defenderam que ele deveria responder a um processo de impeachment — que exige 87 votos no Congresso, composto por 130 parlamentares — e não a uma moção de censura, que necessita apenas de maioria simples. Ainda assim, afirmaram que respeitariam o resultado da votação.
Promessas na área de segurança
Durante o curto mandato, Jeri colocou a segurança pública como prioridade. Ele prometeu reformular a estratégia nacional de combate ao crime e apresentar um novo Plano Nacional de Segurança Cidadã ao Conselho Nacional de Segurança Cidadã (Conasec).
O plano previa metas de desempenho mais rígidas para a Policía Nacional del Perú, prefeituras e Ministério Público. Também foi anunciada a consolidação da Superintendência Nacional de Internamento e Ressocialização (SUNIR), com o objetivo de centralizar o controle do sistema penitenciário e eliminar falhas administrativas, como a dificuldade de bloquear sinais de celular em presídios.
Alta nos homicídios e divergências em dados
Apesar do discurso de endurecimento contra o crime, dados oficiais indicam agravamento da violência. Segundo registros do SINADEF, o governo Jeri acumulou 722 homicídios, o maior índice médio diário em comparação com administrações anteriores. Mantida a tendência até o fim do mandato de transição, a projeção poderia se aproximar de 1.700 mortes.
Também chamou atenção a divergência nos números de denúncias por extorsão. O Ministério Público informou que, em janeiro de 2026, foram registradas 1.928 denúncias em nível nacional, enquanto o sistema SIDPOL, da polícia, contabilizou apenas 1.193 casos — uma diferença superior a 700 registros. Em Lima Metropolitana, o descompasso também ultrapassou 50%.
Embora o governo tenha atribuído a queda nos registros policiais às medidas de combate à criminalidade, especialistas apontam que a discrepância entre os sistemas oficiais lança dúvidas sobre a real dimensão da crise e a efetividade das ações adotadas.
A nova eleição interna no Congresso será decisiva para definir o próximo líder interino e pode representar mais um capítulo na instabilidade política que marca o Peru nos últimos anos.