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Pesquisadores anunciaram neste domingo (31) um avanço significativo no combate ao câncer de pâncreas. O novo medicamento daraxonrasib, administrado em uma pílula diária, dobrou o tempo de sobrevida de pacientes com a forma mais agressiva da doença. Os resultados foram apresentados na reunião anual da Sociedade Americana de Oncologia Clínica (ASCO), em Chicago.
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O alvo: a mutação KRAS
Cientistas sabem há décadas que uma mutação no gene KRAS é responsável por até 90% dos casos de câncer de pâncreas. No entanto, até agora, nenhum medicamento conseguiu atacar diretamente essa mutação. O daraxonrasib pertence a uma nova classe de fármacos chamados inibidores RAS, que desativam as células cancerígenas impulsionadas por proteínas mutantes.
“KRAS sempre foi a grande baleia branca da oncologia. Sempre pensamos que, se houvesse uma maneira de desligar esse alvo, poderíamos tratar o incurável”, afirmou Dr. George Sledge, diretor médico da Caris Life Sciences, que não participou do estudo.
O estudo clínico
O ensaio clínico de fase 3 acompanhou 500 pacientes com idade média de 66 anos, provenientes da América do Norte, Europa e Ásia. Todos tinham câncer de pâncreas avançado (metastático) e já haviam recebido tratamento anterior. Pouco menos da metade dos participantes recebeu o daraxonrasib; os demais continuaram com a quimioterapia padrão.
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Os resultados
Os pacientes tratados com o novo medicamento viveram, em média, pouco mais de um ano sem progressão da doença. Já aqueles que receberam apenas quimioterapia sobreviveram por 6,6 meses. Além disso, o daraxonrasib causou menos efeitos colaterais graves: apenas 11% dos pacientes interromperam o tratamento devido a reações adversas, um índice bem inferior ao da quimioterapia.
“É empolgante pensar que em breve poderemos ajudar pacientes com câncer de pâncreas metastático de maneiras que antes não era possível, melhorando tanto a sobrevida quanto a qualidade de vida”, disse Dr. Brian Wolpin, coordenador do estudo no Dana-Farber Cancer Institute.
Reações dos especialistas
A comunidade médica recebeu os resultados com entusiasmo. A Dra. Rachna Shroff, especialista da ASCO em cânceres gastrointestinais (que não participou do estudo), classificou as descobertas como “revolucionárias” .
“Estamos vendo uma sobrevida e eficácia sem precedentes no tratamento de segunda linha. A revolução do RAS chegou, e este estudo é a prova de princípio de que atingir KRAS no câncer de pâncreas é viável e eficaz”, afirmou.
O Dr. George Sledge completou:
“Este ensaio oferece um verdadeiro raio de esperança. Os dados iniciais sugerem o primeiro medicamento ativo que temos no câncer de pâncreas, tornando-o, pela primeira vez, uma doença verdadeiramente responsiva e tratável.”
O contexto da doença
Cerca de 10.500 pessoas são diagnosticadas com câncer de pâncreas todos os anos no Reino Unido (dados comparáveis ao cenário global). Mais da metade dos pacientes morre em até três meses após o diagnóstico, porque a maioria dos casos é detectada tardiamente, quando o tumor já se espalhou. Até agora, a única opção disponível era a quimioterapia altamente tóxica.
Próximos passos
Os dados do estudo serão enviados aos órgãos reguladores dos Estados Unidos (FDA) e, posteriormente, do Reino Unido (MHRA), para que o medicamento seja aprovado e disponibilizado aos pacientes. A empresa Revolution Medicine, que financiou o ensaio, afirmou estar “comprometida em trazer o daraxonrasib o mais rápido possível” para atender à “necessidade não atendida significativa” no câncer de pâncreas.
“Esta é uma terapia-alvo que esperamos ser relevante para todos os pacientes com câncer de pâncreas metastático. Se aprovada, marcará uma mudança dramática na forma como a doença é tratada”, concluiu Dr. Brian Wolpin.
Especialistas do Cancer Research UK também saudaram os achados. O Dr. Samuel Godfrey, diretor de pesquisa da instituição, afirmou:
“Embora a sobrevida tenha melhorado para muitos tipos de câncer nas últimas décadas, o câncer de pâncreas não teve os mesmos ganhos, em parte porque é frequentemente diagnosticado em estágio avançado. Um tratamento que pudesse dobrar a sobrevida nessa doença seria inédito.”




















































