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Foto: Mauricio Val/FVImagem/CBV

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CBV adota regra do COI e proíbe atletas trans no vôlei feminino no Brasil

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A Confederação Brasileira de Voleibol (CBV) anunciou nesta sexta-feira (14) que passará a adotar a política do Comitê Olímpico Internacional (COI) sobre a elegibilidade de atletas da categoria feminina em suas competições nacionais de quadra e de praia. A medida, que entra em vigor a partir da próxima temporada da Superliga e em outros torneios nacionais, exige que as competidoras apresentem teste genético negativo para o gene SRY (Sex-determining Region Y), responsável por desencadear o desenvolvimento biológico masculino.

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Política do COI e critérios de elegibilidade

“A CBV passa a seguir — a partir de hoje — os critérios e fundamentos da Política de Proteção da Categoria Feminina do COI, publicada em março deste ano, que limita a elegibilidade nessa categoria exclusivamente às atletas do sexo biológico feminino. Essa verificação é feita por testagem e triagem do gene SRY, tendo como ressalvas apenas condições excepcionais previstas na política da entidade”, diz trecho da nota divulgada pela confederação.

Uma das exceções previstas no documento contempla atletas que demonstrarem, mediante avaliação especializada, possuir alguma condição rara, como distúrbios do desenvolvimento sexual que não provoquem efeitos anabólicos ou ganhos de desempenho decorrentes da testosterona. A CBV afirmou que disponibilizará ou facilitará, quando razoavelmente possível, o acesso a orientação médica independente, apoio psicológico e medidas de salvaguarda.

Impacto direto em Tifanny Abreu

A medida coloca em dúvida a continuidade da carreira de Tifanny Abreu, primeira atleta transgênero na elite do vôlei brasileiro. A oposta segue em treinamentos com o Osasco para estrear no Campeonato Paulista neste sábado (15). Apesar de o torneio estadual não estar sob a jurisdição direta da CBV, a permanência da atleta na próxima temporada da Superliga estará sujeita à nova exigência.

O Osasco demonstrou surpresa com o anúncio da entidade máxima do vôlei nacional. Segundo o clube, o departamento jurídico avalia a normativa para definir os próximos passos. A diretoria ressaltou que não foi consultada nem participou das discussões sobre a nova diretriz.

“A decisão impacta diretamente a atleta Tifanny Abreu, que veste a camisa do clube desde 2021 e construiu uma trajetória marcante dentro e fora de quadra. (…) O clube reafirma seu integral apoio a Tifanny neste momento e reforça seu compromisso permanente com o respeito e a valorização de todas as pessoas que fazem parte da sua história”, destacou o Osasco em nota oficial.

Em 2017, a CBV havia sido uma das primeiras entidades esportivas a implementar uma regulamentação específica para a participação de atletas transgêneros, baseada na medição de níveis hormonais. O cenário começou a mudar em setembro de 2025, quando a Federação Internacional de Voleibol (FIVB) aprovou a obrigatoriedade da triagem do gene SRY. Em março de 2026, o COI oficializou sua nova diretriz, que vem sendo gradualmente incorporada por diversas federações esportivas internacionais.

Competições afetadas

Segundo a CBV, os novos critérios passam a valer para todas as jogadoras a partir da Superliga A e B (temporada 2026/2027), Supercopa 2026, Copa Brasil 2027, Circuito Brasileiro de Vôlei de Praia 2027 (adulto) e CBVP Challenger 2027. A recusa em realizar a triagem não será tratada como infração disciplinar, mas, sem a comprovação de elegibilidade, a inscrição da atleta no torneio não será autorizada.

“A CBV se alinhou aos posicionamentos do COI e da FIVB quanto à necessidade de as jogadoras realizarem o processo de triagem do gene SRY para a elegibilidade na categoria feminina. A coleta de material é feita de forma pouco intrusiva e altamente precisa”, explicou o médico João Olyntho, presidente do Conselho de Saúde do Voleibol da confederação.

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