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Membros do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) invadiram nesta quarta-feira (23) sedes regionais do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) em 21 estados e no Distrito Federal. Segundo o próprio MST, desde segunda-feira (21) já foram realizadas 26 mobilizações, reunindo cerca de 17 mil pessoas em prédios públicos, incluindo secretarias estaduais e agências do Banco do Brasil.
Na manhã desta quarta, lideranças do movimento se reuniram com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e com a ministra-chefe da Secretaria de Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann (PT), para apresentar as demandas diretamente ao governo federal. Segundo Ceres Hadich, da direção nacional do MST, os temas tratados englobaram soberania nacional, participação do Brasil nos BRICS e as tarifas impostas pelo governo dos Estados Unidos, além da pauta histórica da reforma agrária.
À tarde, está prevista nova reunião entre o Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA) e a Secretaria do Patrimônio da União (SPU) para continuar o diálogo com as famílias ocupantes. A Superintendência Regional do Incra no Distrito Federal confirmou a reunião e manifestou a expectativa de que as sedes sejam desocupadas até a manhã desta quinta-feira (24).
Em nota, a direção nacional do Incra afirmou que “recepcionou as reivindicações e segue dialogando para atender as demandas”, destacando que as ações ocorreram de forma pacífica. Já o MDA aguarda o envio oficial da pauta de reivindicações do MST para dar continuidade às negociações.
O MST divulgou uma carta pública na qual denuncia a “estagnação de políticas estruturantes, como o acesso à terra, ao crédito, à moradia, à educação do campo e ao fortalecimento da agricultura familiar camponesa”. O movimento afirma lutar por esses direitos como essenciais para fortalecer a agricultura brasileira e garantir condições dignas às famílias assentadas e acampadas.
Marco Baratto, dirigente do MST no Distrito Federal, ressaltou que, apesar de avanços pontuais em infraestrutura e crédito rural, a principal reivindicação — o acesso à terra — permanece sem solução. Segundo ele, “temos mais de 2 mil famílias acampadas em três regionais: Noroeste e Mineiro, Nordeste Goiano e no próprio Distrito Federal. São áreas já em processo de aquisição ou em fase de desapropriação, mas que estão travadas por falta de orçamento e de servidores no Incra. A situação é de caos.”























































