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Em acareação no STF, dono do Master e ex-presidente do BRB divergem sobre rombo de R$ 12 bilhões

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O fundador do Banco Master, Daniel Vorcaro, e o ex-presidente do Banco de Brasília (BRB), Paulo Henrique Costa, apresentaram versões divergentes nesta quinta-feira (29) durante acareação no Supremo Tribunal Federal (STF) sobre a origem das carteiras de crédito problemáticas adquiridas pelo banco público a partir de 2025. Os vídeos da audiência foram divulgados pelo site Poder 360.

 

Vorcaro afirmou que o BRB tinha ciência de que parte das carteiras adquiridas não havia sido originada pelo Master, mas por uma empresa terceira chamada Tirreno. Segundo ele, o modelo de negócios do Master previa a compra de carteiras estruturadas por outros agentes.

“O BRB sabia que aqueles créditos não eram do Master. Isso foi informado desde o início”, declarou Vorcaro.

Costa, no entanto, negou a versão do fundador do Master. O ex-presidente do BRB afirmou que sempre entendeu que os ativos tinham origem no próprio banco e que só mais tarde surgiram dúvidas sobre a procedência das carteiras.

“Em nenhum momento me foi dito que os créditos não eram do Master. Essa informação só apareceu depois, quando começaram os problemas”, disse Costa.

Segundo Costa, as inconsistências na documentação e a menção à Tirreno só foram percebidas meses após o início das operações. “Até então, o entendimento era de que se tratava de créditos do próprio banco, ainda que negociados com terceiros”, explicou.

Durante a acareação, Vorcaro detalhou que o Master anunciou a venda de “originadores terceiros”, mas afirmou não se lembrar de detalhes da Tirreno na época:

“A Tirreno, nem eu mesmo sabia naquele momento. Conversávamos sobre começar um novo formato de comercialização, que seriam carteiras originadas por terceiros e não carteiras próprias.”

Costa reforçou que desconhecia a origem das carteiras:

“O meu entendimento é que eram carteiras originadas pelo Master, vendidas ou negociadas a terceiros, e que o Master estava recomprando e revendendo para nós.”

Vorcaro, por sua vez, afirmou que não havia informação de que as carteiras tivessem sido revendidas pelo Master:

“Sabia que eram carteiras dos mesmos originadores que faziam originação para o Master, mas não especificamente originadas por nós.”

Segundo as investigações, o Master teria vendido ao BRB supostas carteiras de crédito falsas da Tirreno, uma empresa que seria de fachada, totalizando R$ 12 bilhões. Costa afirmou que o BRB seguiu adquirindo essas carteiras até abril de 2025, quando passou a notar padrões documentais distintos, o que levou à investigação da real origem dos créditos:

“A partir daí começamos a questionar quem eram os originadores específicos. Ao longo do mês de maio, recebemos a informação de que eram créditos originados pela Tirreno”, concluiu o ex-presidente do BRB.

O ministro Dias Toffoli retirou o sigilo dos vídeos dos depoimentos e da acareação nesta quinta-feira, permitindo o acesso público às declarações.

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