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O bilionário Elon Musk reagiu duramente às críticas do primeiro-ministro do Reino Unido, Keir Starmer, e acusou o governo britânico de buscar “qualquer desculpa para censurar” a plataforma X (antigo Twitter). A declaração ocorre em meio à ameaça de bloqueio da rede social no país por causa da circulação de imagens pornográficas falsas — inclusive envolvendo crianças — criadas com inteligência artificial.
A polêmica envolve o Grok, ferramenta de IA disponível no X e desenvolvida pela empresa xAI, também comandada por Musk. O sistema foi usado para gerar imagens sexualizadas e montagens de nudez sem consentimento, o que provocou forte reação de autoridades, organizações civis e celebridades.
Em resposta às declarações de Starmer, Musk repostou uma imagem manipulada do primeiro-ministro vestindo um biquíni, acompanhada da legenda: “Eles só querem suprimir a liberdade de expressão”. O gesto foi visto como uma provocação direta ao chefe do governo britânico, que afirmou estar avaliando “todas as opções” para lidar com a situação.
O órgão regulador britânico Ofcom abriu uma investigação acelerada contra o X e a xAI para apurar possíveis violações da Lei de Segurança Online. A pressão aumentou depois que foi constatado que o Grok havia sido utilizado para produzir imagens falsas de nudez de adultos e crianças.
Diante das críticas, o X anunciou mudanças no funcionamento da ferramenta, restringindo a geração e edição de imagens apenas a usuários pagantes. Para isso, os usuários precisam ter nome e dados de pagamento registrados. A medida, no entanto, foi duramente criticada pelo governo.
Um porta-voz do primeiro-ministro afirmou que a mudança “não é uma solução” e classificou a decisão como “ofensiva às vítimas”. Segundo ele, a plataforma apenas transformou a criação de imagens ilegais em um “serviço premium”. “Isso prova apenas que o X consegue agir rapidamente quando quer”, afirmou.
Keir Starmer também classificou as alterações feitas por Musk como “insultantes” e reforçou que a plataforma precisa agir de forma imediata. “Isso é vergonhoso, repugnante e não será tolerado. É ilegal, e vamos agir”, disse o premiê em entrevista a uma rádio britânica.
A secretária de Tecnologia do Reino Unido, Liz Kendall, declarou que apoiará a Ofcom caso o órgão decida bloquear o X no país por descumprimento da lei. “A manipulação sexual de imagens de mulheres e crianças é desprezível e absolutamente inaceitável”, afirmou. Segundo ela, é “totalmente inaceitável” permitir esse tipo de prática mediante pagamento.
Apesar das mudanças anunciadas, relatos indicam que a restrição do Grok pode não ser total. Algumas formas de criação e edição de imagens continuariam disponíveis, inclusive em um site separado da ferramenta.
A Ofcom tem poder para multar empresas em até 18 milhões de libras ou 10% do faturamento global, além de adotar medidas mais severas, como solicitar à Justiça o bloqueio de serviços de pagamento, publicidade e acesso à plataforma no país.
Paralelamente, o governo britânico avança com propostas para proibir aplicativos de “nudificação” e criminalizar a criação de imagens íntimas sem consentimento, com novas regras previstas para entrar em vigor nas próximas semanas.
A controvérsia também chegou ao mundo das celebridades. A apresentadora Maya Jama criticou publicamente o Grok depois que sua mãe recebeu imagens falsas de nudez criadas a partir de fotos de biquíni publicadas no Instagram. Ela descreveu a internet como “assustadora e cada vez pior”.