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O cantor e compositor britânico Chris Rea, conhecido mundialmente pelo clássico natalino Driving Home for Christmas, morreu aos 74 anos após uma breve doença. A informação foi confirmada pela família em comunicado divulgado e repercutido pela BBC News. O artista faleceu em um hospital, acompanhado por familiares.
Em nota, a esposa e os dois filhos de Rea afirmaram que o músico “morreu pacificamente no hospital, após uma curta enfermidade, cercado por seus entes queridos”. A notícia provocou uma onda de homenagens de autoridades, artistas e fãs, que destacaram a importância do cantor para a música britânica e seu impacto duradouro na cultura popular.
Nascido em Middlesbrough, no norte da Inglaterra, em 1951, Chris Rea iniciou a carreira musical na década de 1970 e alcançou projeção internacional nos anos 1980. Dono de uma voz grave marcante e reconhecido pela habilidade com a guitarra slide, ele construiu uma trajetória sólida, com sucessos como Fool (If You Think It’s Over) — que chegou a ser indicado ao Grammy —, Let’s Dance e The Road to Hell. Este último deu título ao álbum que se tornou o primeiro de sua carreira a alcançar o topo das paradas britânicas, em 1989.
Ao longo de mais de quatro décadas de carreira, Rea lançou 25 álbuns solo, sendo dois deles líderes de vendas no Reino Unido. Sua obra consolidou o artista como um dos nomes mais respeitados do rock e do blues britânico, gêneros que ele sempre afirmou serem a base de sua identidade musical.
Entre todas as canções, Driving Home for Christmas se transformou em seu trabalho mais popular e atemporal. Lançada em 1986 por decisão da gravadora — apesar da resistência inicial do próprio cantor —, a música se tornou presença constante em rádios e emissoras de televisão durante o período natalino, atravessando gerações e fronteiras. Em entrevistas à BBC News, Rea contou que compôs a canção durante uma viagem de carro entre Londres e Middlesbrough, enquanto cumpria uma suspensão que o impedia de dirigir. Na ocasião, sua esposa foi buscá-lo, e, preso em um trânsito intenso sob neve, o músico começou a escrever a letra inspirado nos motoristas ao redor, descritos por ele como “com cara de poucos amigos”. A canção nasceu em poucos minutos e acabaria se tornando um símbolo universal do Natal.
A vida pessoal e profissional de Chris Rea foi profundamente marcada por problemas de saúde. Diagnosticado com câncer de pâncreas aos 33 anos, ele passou por diversas cirurgias ao longo da vida, incluindo a retirada de parte do pâncreas, do duodeno, da vesícula biliar e de parte do fígado. Além disso, convivia com diabetes tipo 1, problemas renais e sofreu um acidente vascular cerebral (AVC) em 2016. Mesmo diante dessas adversidades, Rea continuou gravando e se apresentando. Após se recuperar do AVC, lançou o álbum Road Songs for Lovers, reforçando sua ligação com o blues. Em declarações à BBC, o músico afirmou que a doença influenciou sua música e que sua motivação era deixar um legado para as filhas.
As homenagens se multiplicaram após a confirmação da morte. O prefeito de Middlesbrough, Chris Cooke, afirmou que Rea “ajudou a colocar Middlesbrough no mapa” e destacou o orgulho que o artista tinha de suas origens. O deputado trabalhista Andy McDonald, representante de Middlesbrough e Thornaby East, também lamentou a perda. Personalidades como Lizzie Cundy, Tony Parsons e Piers Morgan ressaltaram a influência e o caráter inspirador do cantor. Já o Middlesbrough Football Club descreveu Rea como um “ícone de Teesside”.
Christopher Anton Rea nasceu em uma família numerosa, de ascendência italiana e irlandesa. Era um dos sete filhos de Camillo Rea, dono de uma fábrica e de várias cafeterias de sorvete em Middlesbrough, onde Chris trabalhou na juventude. O músico costumava relembrar histórias desse período, como o dia em que fez o teste para tirar a carteira de motorista dirigindo uma van de sorvetes da família. Embora houvesse a expectativa de que seguisse o negócio do pai, Rea decidiu trilhar o caminho da música, comprou sua primeira guitarra já adulto e desenvolveu o estilo singular que o consagrou internacionalmente.