Entre nos nossos canais do Telegram e WhatsApp para notícias em primeira mão. Telegram: [link do Telegram]
WhatsApp: [link do WhatsApp]
O Brasil criticou veementemente a operação militar realizada em território venezuelano que resultou na prisão do ditador Nicolás Maduro e de sua esposa, Cilia Flores, durante uma reunião emergencial do Conselho de Segurança da ONU, realizada nesta segunda-feira (5) em Nova York.
Em discurso, o embaixador brasileiro Sérgio Danese afirmou que os bombardeios na Venezuela e a captura do chefe de Estado “ultrapassam uma linha inaceitável”. Segundo ele, a ação configura uma grave afronta à soberania venezuelana e estabelece um precedente perigoso para a comunidade internacional.
“O mundo multipolar do século XXI, que promove a paz e a prosperidade, não deve ser confundido com esferas de influência. Não podemos aceitar o argumento de que os fins justificam os meios. Esse raciocínio carece de legitimidade e abre a possibilidade de conceder aos mais fortes o direito de definir o que é justo ou injusto, o que é certo ou errado, e até mesmo de ignorar soberanias nacionais, impondo decisões aos mais fracos. A América Latina e o Caribe fizeram da paz uma escolha consciente, duradoura e irreversível”, afirmou Danese.
O diplomata ressaltou ainda que a aceitação de intervenções desse tipo pode gerar violência, desordem e enfraquecer o multilateralismo, com impactos diretos no direito internacional e nas instituições globais. Ele enfatizou que normas que regem a convivência entre os Estados são obrigatórias e universais, não podendo ser violadas por interesses ideológicos, geopolíticos ou econômicos.
“O mundo não pode permitir que a exploração de recursos naturais ou econômicos sirva de justificativa para uso da força ou mudança ilegal de governos. A América do Sul é uma zona de paz. Temos defendido e continuaremos a defender, com plena determinação, a paz e o princípio da não intervenção”, destacou o representante brasileiro.
A sessão emergencial do Conselho de Segurança foi convocada a pedido da Venezuela e da Colômbia, com o apoio de Rússia e China. Durante o encontro, os países discutiram a legalidade da prisão de Maduro, levado aos Estados Unidos para responder por supostas ligações com o narcotráfico internacional e posse de armas de guerra.