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Após ser preso por militares rebeldes, o presidente do Mali, Ibrahim Bubacar Keita, anunciou sua renúncia e a dissolução do Parlamento e do governo na madrugada nesta quarta-feira (19). Junto ao mandatário, também havia sido detido o primeiro-ministro, Boubou Cissè.   

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“Agradecendo o povo maliano pelo apoio nesses longos anos e pelo calor de seu afeto, quero informá-los da minha decisão de deixar neste momento todas as minhas funções. E com todas as consequências legais, dissolvo a Assembleia Nacional e o governo”, disse o presidente de 75 anos em um pronunciamento divulgado pela emissora “ORTM”.   

Após o anúncio de Keita, o grupo militar que liderou o golpe informaram que vão organizar uma “transição política civil” para realizar eleições gerais em um “tempo razoável”.   

“Nós, as forças patrióticas reagrupadas no Comitê Nacional para a Salvação do Povo (CNSP), decidimos assumir nossas responsabilidades diante do povo e da história. O nosso país, o Mali, cai dia após dia no caos, na anarquia e na insegurança por culpa dos homens responsáveis pelo seu destino”, disse o porta-voz do grupo, o coronel-maior Ismael Wagué, que atua como vice-chefe do Estado-Maior da Aeronáutica Militar.   

No comunicado, Wagué convocou “a sociedade civil e os movimentos sócio-políticos” para “se unir a nós para criar as melhores condições para uma transição política civil que leve a eleições gerais críveis para o exercício democrático através de uma marcha que dará bases a um novo Mali”.   

Assim como ocorreu no fim da tarde desta terça-feira (18), quando as notícias da prisão de Keita e Cissé começaram a repercutir, a reação ao golpe de Estado foi negativa. Após a União Europeia e as Nações Unidas condenarem a ação, a China também criticou a ação do Exército.   

Em declaração do porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Zhao Lijian, disse que a China se opõe a uma mudança de regime “com o uso da força e de outros meios anômalos” e que apoia os “esforços de pertinentes organizações regionais e internacionais”, a partir da União Africana e da Comunidade dos Estados da África Ocidental (Cedeao), para promover a “resolução pacífica” da crise, tendo o “diálogo como instrumento de composição das diferenças”.   

Assim como fez ontem, a Cedeao voltou a condenar o golpe de Estado e anunciou a suspensão do Mali de seus órgãos de decisão.   

Além disso, o grupo que reúne 15 governos africanos, anunciou o fechamento das fronteiras com o Mali (Argélia, Níger, Mauritânia, Senegal, Costa do Marfim, Guiné e Burkina Faso) e cobrou “a imediata aplicação de uma série de ações contra todos os golpistas”.   

– Crise política: O Mali vinha vivendo uma grave crise política nos últimos meses, que se agravou desde junho, entre grupos de oposição e o governo de Keita.   

Há dois meses, protestos diários liderados pelo Movimento 5 de Junho eram registrados tanto na capital de país, Bamako, como em outras cidades – e os militares se uniram a eles. O que motivou o golpe, especificamente, nesta terça-feira ainda não está claro.   

Fontes relataram à agência de notícias francesa AFP que um grupo no quartel de Kati começou a disparar para o ar e que estavam “muito nervosos”. De lá, eles lideraram uma série de motins em diversos pontos e foram à residência de Keita, onde também prenderam o premier. Ainda conforme essas pessoas, haveria um atraso nos salários dos militares.   

O quartel de Kati também foi de onde partiu o amotinamento que causou outro golpe de Estado, em 2012, e que derrubou o então presidente Amadou Toumani Touri. Muitos especialistas dizem que a derrubada de Touri foi fundamental para o avanço de grupos fundamentalistas islâmicos em parte do território do Mali, causando uma série de ataques terroristas. (ANSA).   

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