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Um alto clérigo iraniano, o aiatolá Ahmad Khatami, pediu a execução do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e do primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, de acordo com a lei islâmica (Sharia), durante um sermão na última sexta-feira (4).
Khatami, membro do Conselho de Guardiões e alto clérigo iraniano, acusou ambos os líderes pelo assassinato de dezenas de milhares de pessoas em Gaza e pela morte de Qasem Soleimani, comandante da Força Quds do Corpo de Guardiões da Revolução Islâmica, conforme tradução das declarações realizada pela Memri TV e reportado pelo meio iraniano Channel 1.
Em sua intervenção, Khatami declarou: “O ditame a respeito de Trump e Netanyahu, segundo a Sharia, é que ambos devem ser executados.” Ele acrescentou que a sentença de morte se justifica sob três artigos da lei islâmica: homicídio, opressão e corrupção na terra. “Vocês são assassinos e devem ser punidos. São opressores e estão semeando corrupção na terra, lutam contra Deus e seu Mensageiro”, afirmou Khatami à congregação presente.
Durante o sermão de Ahmad Khatami em Teerã, a audiência respondeu às suas palavras com cânticos coletivos. Segundo o Channel 1, os presentes entoaram frases como “Allah Akbar”, “Khamenei é o líder”, “Morte aos Estados Unidos”, “Morte à Inglaterra”, “Morte aos hipócritas e aos infiéis” e “Morte a Israel”. Essas palavras de ordem, habituais em atos oficiais da República Islâmica, refletem o apoio às declarações de Khatami e a continuidade da rejeição aos governos dos Estados Unidos, Reino Unido e Israel.
Ahmad Khatami ocupa uma posição relevante dentro da estrutura de poder iraniana. Ele é membro do Conselho de Guardiões, órgão encarregado de supervisionar a legislação e validar a legalidade das eleições na República Islâmica. Além disso, faz parte da Assembleia de Especialistas, instituição responsável por designar, supervisionar ou destituir o Líder Supremo. Essa dupla filiação concede a Khatami influência tanto na interpretação da Sharia quanto nos processos políticos e religiosos de maior impacto no Irã.
No mês anterior ao sermão de Ahmad Khatami, as tensões entre Irã e Israel aumentaram após uma guerra de doze dias. Este conflito ocorreu no contexto da guerra em curso entre Israel e a organização terrorista palestina Hamas, que teve início em 7 de outubro de 2023, quando o grupo armado atacou o território israelense. Desde então, a ofensiva israelense em Gaza tem provocado um elevado número de vítimas.
A implicação do Irã na crise regional tem se acentuado devido aos seus vínculos com organizações como o Hamas e pelo apoio a diversos atores contrários a Israel. O enfrentamento direto entre Irã e Israel no mês passado marcou um episódio incomum de hostilidades abertas. Em decorrência desses choques militares, as declarações públicas de líderes iranianos, como Khatami, adquiriram um tom mais severo em relação aos Estados Unidos e a Israel.
As relações entre Estados Unidos e Irã registraram uma deterioração adicional nas últimas semanas. A tensão aumentou depois que os Estados Unidos realizaram um ataque surpresa contra três sítios nucleares importantes em território iraniano no mês passado. A resposta da liderança iraniana incluiu advertências públicas sobre as capacidades defensivas do país e relatos de ações coordenadas entre os principais órgãos de segurança.























































