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A Secretaria Nacional Antidrogas (SENAD) do Paraguai desarticulou nesta terça-feira (25) um grupo que, segundo as autoridades, provia drogas, munições e componentes de armas ao Comando Vermelho do Brasil. A operação, realizada na cidade de Lambaré, no centro do país, resultou na prisão de quatro pessoas.
Em comunicado, a SENAD informou que realizou um mandado de busca e apreensão em um estabelecimento comercial que funcionava como uma suposta importadora de veículos. O local era, na verdade, uma “fachada”, onde as partes dos automóveis eram modificadas para ocultar armas e drogas destinadas a favelas do Rio de Janeiro. A instituição explicou que essa infraestrutura era utilizada para montar cargas ilícitas que entravam no Brasil através de rotas usadas por organizações criminosas.
A SENAD descreveu a operação como “um golpe estratégico a uma rede que atuava como elo direto para o abastecimento de grupos criminais brasileiros”. De acordo com a informação oficial, o esquema utilizava o território paraguaio para organizar a logística, o acúmulo e a preparação do armamento que entrava no país vizinho.
Durante a ação, os agentes apreenderam “componentes de fuzis automáticos e semiautomáticos”, além de quatro veículos, várias motocicletas, 6,49 quilos de pasta base de cocaína e mais de 27 quilos de maconha, junto com outros elementos considerados relevantes para a investigação. As autoridades afirmaram que essas evidências confirmam a estrutura operacional do grupo desarticulado e sua função dentro da cadeia criminosa que abastece o Comando Vermelho.
Segundo as investigações, os integrantes da organização “viajavam frequentemente à Bolívia” e a outras zonas fronteiriças do Paraguai com o objetivo de se abastecer de armas, cocaína e maconha. A SENAD pontuou que “as armas eram adquiridas em componentes separados e depois montadas para seu envio ao Brasil”, uma modalidade usada por diferentes organizações criminosas para evitar controles fronteiriços e reduzir o risco de apreensões.
Entre os detidos está o suposto “dono e financiador da empresa de fachada”, que, de acordo com a instituição antidrogas, “coordenava a obtenção, acúmulo e saída de cargas ilícitas” para organizações brasileiras. As autoridades também prenderam o indivíduo apontado como o encarregado “da modificação” dos veículos utilizados no transporte das cargas ilegais, além de um motorista e um homem que transportava droga e que, segundo a SENAD, mantinha vínculos diretos com o grupo desarticulado.
A operação ocorre em um contexto em que o Paraguai reforçou sua posição frente às principais organizações criminosas da região. O presidente Santiago Peña declarou, em 30 de outubro, o Comando Vermelho e o Primeiro Comando da Capital (PCC) como “organizações terroristas internacionais”. A medida foi tomada após uma operação executada no Rio de Janeiro contra o Comando Vermelho, que deixou 121 mortos, segundo autoridades brasileiras.