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As Forças de Defesa de Israel (FDI) confirmaram neste sábado a morte de Raad Saad, um dos principais líderes do Hamas na Faixa de Gaza e considerado por autoridades israelenses um dos arquitetos do ataque terrorista de 7 de outubro de 2023, que deixou mais de 1.200 mortos em Israel. O comandante foi atingido em um ataque aéreo com drone no sudoeste da cidade de Gaza.
Segundo informações divulgadas pelos militares israelenses, o bombardeio atingiu um veículo na estrada Rashid, nas proximidades do cruzamento de Nablus, área sob controle do grupo extremista palestino. O ataque resultou na morte de pelo menos quatro pessoas e deixou mais de 20 feridos, de acordo com relatos locais.
Em comunicado, as FDI afirmaram que a operação foi uma resposta direta à explosão de um artefato explosivo que feriu levemente dois reservistas israelenses no sul da Faixa de Gaza horas antes. Ainda segundo os militares, nas semanas que antecederam o ataque houve reiteradas tentativas do Hamas de realizar ações ofensivas, incluindo o uso de explosivos contra tropas israelenses, o que, segundo Israel, representa uma violação flagrante do acordo de cessar-fogo.
A ação foi realizada após o recebimento de informações de inteligência que indicaram a localização exata de Saad. Fontes militares informaram que ele já havia sido alvo de diversas tentativas anteriores de eliminação, sem sucesso.
Raad Saad ocupava o cargo de chefe da unidade de produção de armas do braço militar do Hamas e era considerado o segundo na hierarquia do grupo, atrás apenas de Izz al-Din Haddad, apontado como o último grande chefe militar ativo da organização. De acordo com Israel, Saad teve papel central na criação da Brigada de Gaza e na formação da força naval do Hamas.
O comandante também mantinha ligação direta com figuras históricas do grupo, como o fundador Ahmed Yassin, o ex-chefe militar Mohammed Deif e o vice-líder Marwan Issa, todos mortos em operações anteriores conduzidas por Israel.
Segundo as FDI, Saad participou da elaboração do plano conhecido como “Muros de Jericó”, que serviu de base para o ataque de 7 de outubro. O plano previa a invasão de território israelense e a neutralização da Divisão Gaza do Exército de Israel, estratégia colocada em prática no início da guerra atual. Ele também teria contribuído para a criação da força de elite Nukhba, responsável por liderar a incursão do Hamas em Israel naquele dia.
As autoridades israelenses atribuem a Saad responsabilidade direta pela produção de armamentos usados tanto no ataque de outubro quanto em ações posteriores durante o conflito. Em declaração conjunta, o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu e o ministro da Defesa Israel Katz afirmaram que o comandante “atuava na reconstrução da capacidade ofensiva do Hamas, no planejamento e execução de ataques contra Israel e na reestruturação de uma força de combate, em clara violação do cessar-fogo”.
Para o governo israelense, em vez de avançar em direção ao desarmamento, Saad estaria empenhado em rearmar o Hamas para novos atos de violência.
Em resposta, o Hamas divulgou nota acusando Israel de tentar minar deliberadamente o acordo de cessar-fogo, com o que chamou de violações contínuas e crescentes. O grupo responsabilizou Israel pelas consequências do ataque e cobrou a atuação de mediadores internacionais.
A morte de Raad Saad ocorre após uma série de tentativas fracassadas de neutralizá-lo ao longo da guerra, a mais recente em junho de 2024. Segundo Israel, ele conseguiu escapar de uma operação realizada no hospital Shifa, em Gaza, em março do mesmo ano. Seu histórico inclui prisões tanto por Israel, em 1990, quanto pela Autoridade Palestina, na década de 1990, por envolvimento com atividades do Hamas.
Para analistas de segurança, a eliminação de Saad representa um golpe significativo na cadeia de comando do Hamas na Faixa de Gaza, já que ele era um dos últimos líderes veteranos ainda em atividade. Israel reafirmou que continuará respondendo de forma dura a qualquer ataque contra suas forças e que manterá operações contra ameaças à sua segurança, dentro e fora de Gaza.