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O Irã emitiu um alerta nesta sexta-feira (2) afirmando que todas as bases e forças americanas na região se tornariam “alvos legítimos” caso os Estados Unidos interfiram nos protestos internos do país. A medida ocorre após o ex-presidente Donald Trump declarar que os EUA estavam “prontos para agir” se as autoridades iranianas atacassem manifestantes pacíficos.
Segundo Mohammad Bagher Ghalibaf, secretário do Conselho Supremo de Segurança Nacional do Irã, agências de inteligência estrangeiras tentam aproveitar os protestos legítimos e transformá-los em distúrbios violentos.
“O grito do diabo foi levantado porque as tentativas dos agentes armados das agências de inteligência de transformar os protestos legítimos dos bazares e guildas em batalhas urbanas fracassaram”, disse Ghalibaf em postagem na rede X.
Ele ressaltou ainda que o Irã já derrotou inimigos historicamente mais experientes e que os protestos internos não devem ser confundidos com ações de mercenários estrangeiros.
“Abraçamos nossos filhos queridos”, afirmou.
Porém, Ghalibaf fez um alerta direto a Washington, afirmando que o “desrespeitoso ex-presidente dos Estados Unidos” deveria entender que qualquer aventura militar norte-americana transformaria todos os centros e forças dos EUA na região em alvos legítimos. Ele também reforçou que os iranianos estão sempre unidos e determinados a agir contra qualquer agressor.
Protestos e repressão
Os protestos, motivados pelo aumento do custo de vida e pela crise econômica, têm se intensificado nas últimas semanas, com confrontos entre manifestantes e forças de segurança em várias cidades. Na quinta-feira (1º), seis pessoas foram mortas, marcando as primeiras mortes desde a escalada dos protestos.
Em Teerã, comerciantes aderiram a uma greve geral no domingo devido à inflação e estagnação econômica, movimento que se espalhou para outras regiões do país.
As forças de segurança abriram fogo e realizaram prisões em massa, enquanto os manifestantes prometem não recuar. Segundo a agência Fars, duas pessoas morreram em Lordegan, na província de Chaharmahal e Bakhtiari, e três em Azna, na província vizinha de Lorestan. A televisão estatal relatou a morte de um membro das forças de segurança em Kouhdasht, mas grupos de direitos humanos contestaram, afirmando que a vítima seria, na verdade, um manifestante.
Manifestações nas ruas incluíram gritos de “este ano é ano de sangue, Seyyed Ali será derrubado” e “morte ao ditador”, enquanto dezenas de pessoas foram detidas por policiais à paisana e forças de choque. As autoridades também bloquearam ruas e reforçaram a presença armada em diversos pontos da cidade.
Contexto econômico e político
O Irã enfrenta um momento delicado, com sanções ocidentais agravando a inflação, que já supera 40%, e ataques aéreos de Israel e dos EUA em junho contra infraestruturas nucleares e liderança militar. O governo civil, liderado pelo reformista Masoud Pezeshkian, sinaliza abertura para diálogo com os manifestantes, mas admite limitações diante da desvalorização rápida da moeda local, com o dólar chegando a custar cerca de 1,4 milhão de riais.
Além disso, a televisão estatal informou sobre prisões de sete pessoas, incluindo cinco monarquistas e dois supostos integrantes de grupos europeus, e a confiscamento de 100 pistolas contrabandeadas, sem maiores detalhes.
Um episódio que chamou atenção internacional foi a imagem de um manifestante sozinho sentado em frente a forças armadas em Teerã, lembrando o icônico “Tank Man” da Praça Tiananmen em 1989.
Os protestos atuais são menores que os de 2022, desencadeados pela morte de Mahsa Amini, que levou a uma onda nacional de revolta com centenas de mortos, incluindo integrantes das forças de segurança.