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O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta sexta-feira (9) que Washington decidirá quais empresas petrolíferas poderão operar na Venezuela e que o governo americano atuará como intermediário entre essas companhias e o governo venezuelano. A declaração foi feita durante um encontro na Casa Branca com mais de duas dezenas de executivos de grandes empresas do setor de energia, reunidos para tratar da reconstrução da indústria petrolífera venezuelana e do acesso às vastas reservas de petróleo do país sul‑americano.
“Vamos decidir quais petroleiras vão entrar [na Venezuela], vamos fechar o acordo”, disse Trump aos representantes das empresas, segundo relatos. “Vocês estão negociando diretamente conosco, não com a Venezuela, não queremos que negociem com a Venezuela. E vocês terão total segurança. Uma das razões pelas quais não podiam trabalhar lá é que não tinham garantias. Mas agora têm segurança total.”
Segundo a Casa Branca, o encontro foi focado praticamente exclusivamente no petróleo venezuelano e na definição do papel dos Estados Unidos a longo prazo na segurança energética e na relação com o povo venezuelano. Trump também afirmou que um dos objetivos centrais dessa aproximação é reduzir os preços dos combustíveis para os americanos.
Antes da reunião, Trump publicou em sua rede social que “as maiores companhias petrolíferas do mundo” participariam do encontro na Casa Branca. Ele também se desculpou com empresas que não puderam ser recebidas no mesmo dia, informando que o secretário de Energia dos EUA, Chris Wright, e o secretário do Interior, Doug Burgum, as encontrarão nos próximos dias.
No evento estiveram presentes representantes de grandes empresas do setor, incluindo Repsol, Chevron, Exxon, ConocoPhillips, Shell, Valero, Marathon, Halliburton, Trafigura, Vitol Americas, Eni, Tallgrass e outras.
A Venezuela, que possui cerca de um quinto das reservas de petróleo do mundo, sofreu uma forte queda na produção ao longo dos últimos anos devido a sanções, falta de investimentos e embargos, produzindo no ano passado apenas cerca de 1% da produção mundial de petróleo, segundo dados da OPEP.
O país está sob sanções dos EUA desde 2019, inicialmente impostas pela própria administração Trump em seu primeiro mandato. Recentemente, o governo americano chegou até a oferecer recompensas por informações que levassem à captura do então presidente Nicolás Maduro, que terminou sendo detido em uma operação militar dos EUA no início de janeiro.
Além disso, Trump declarou que o governo interino da Venezuela entregaria entre 30 e 50 milhões de barris de petróleo aos Estados Unidos, com os ganhos sendo, segundo o presidente, “controlados” por Washington para beneficiar tanto os americanos quanto os venezuelanos.
Analistas ressaltam que, embora a movimentação dos EUA represente uma forte intervenção na indústria petrolífera venezuelana, a infraestrutura do país está seriamente degradada após anos de negligência, e a reconstrução exigirá investimentos gigantescos — estimados em mais de US$ 100 bilhões — caso as petrolíferas decidam participar de projetos a longo prazo no território venezuelano.
O anúncio marca uma mudança significativa na política dos EUA em relação à Venezuela, com o governo assumindo um papel de liderança direta na reorganização de seu setor energético e no planejamento sobre quais empresas estrangeiras poderão explorar um dos maiores patrimônios de hidrocarbonetos do planeta.