Entre nos nossos canais do Telegram e WhatsApp para notícias em primeira mão. Telegram: [link do Telegram]
WhatsApp: [link do WhatsApp]
O governo do Irã reagiu com firmeza às ameaças do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e afirmou que o país está “pronto para a guerra”, mas também aberto ao diálogo. A declaração foi feita pelo ministro das Relações Exteriores iraniano, Abbas Araqchi, após Trump dizer que Washington poderia atacar o Irã “em níveis nunca vistos” caso a repressão contra manifestantes continue.
A tensão ocorre em meio à terceira semana consecutiva de protestos antigovernamentais no país, que já resultaram em centenas de mortes. Segundo a ONG Human Rights Activists News Agency (HRANA), com sede nos Estados Unidos, cerca de 500 manifestantes e 48 integrantes das forças de segurança morreram durante a repressão promovida pelo regime iraniano. Mais de 10.600 pessoas teriam sido detidas desde o início das manifestações.
Em resposta direta às falas de Trump, Araqchi afirmou que advertências norte-americanas incentivam “grupos terroristas” a promover violência para justificar uma intervenção estrangeira. “Estamos prontos para a guerra, mas também para o diálogo”, declarou o chanceler, ao mesmo tempo em que acusou os Estados Unidos de fomentar instabilidade no país.
O discurso iraniano se endureceu ainda mais após declarações do presidente do Parlamento, Mohammad Baqer Qalibaf, que afirmou que Israel e “todos os centros militares, bases e navios americanos na região” seriam alvos legítimos em caso de um ataque contra Teerã. Durante seu pronunciamento, parlamentares entoaram gritos de “Morte à América” e “Morte a Israel”.
O procurador-geral do Irã, Mohammad Movahedi Azad, também elevou o tom ao afirmar que participantes dos protestos poderão ser considerados “inimigos de Deus”, acusação que pode levar à pena de morte. Paralelamente, o governo decretou um apagão quase total da internet, dificultando a comunicação com o exterior e a verificação independente da situação no país.
Apesar da escalada verbal, autoridades iranianas tentaram transmitir uma imagem de controle. Em conversa com diplomatas estrangeiros, Araqchi afirmou que “a situação está totalmente sob controle”, enquanto o presidente Masoud Pezeshkian disse que o governo está disposto a ouvir as demandas da população, mas responsabilizou “vândalos”, além dos Estados Unidos e de Israel, pela violência.
Em meio à crise, o regime organizou manifestações pró-governo em várias cidades, reunindo dezenas de milhares de apoiadores em uma demonstração de força. A televisão estatal exibiu imagens de multidões defendendo o sistema teocrático.
As manifestações, consideradas as maiores desde os protestos de 2022, começaram no fim de dezembro em meio a uma grave crise econômica, mas rapidamente passaram a exigir mudanças profundas no regime que governa o Irã desde a Revolução Islâmica de 1979.
Enquanto isso, a retórica entre Teerã e Washington segue se intensificando. O líder supremo iraniano, aiatolá Ali Khamenei, publicou uma mensagem nas redes sociais ameaçando Trump e afirmando que líderes considerados “opressores” acabam sendo derrubados. Já os Estados Unidos mantêm forças militares em alerta na região, aumentando o temor de um confronto direto.