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O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, vazou mensagens privadas trocadas com líderes internacionais e provocou aliados europeus nas redes sociais na véspera de sua viagem ao Fórum Econômico Mundial (WEF, na sigla em inglês), em Davos, na Suíça. A ofensiva digital incluiu trechos de conversas com o presidente da França, Emmanuel Macron, e com o secretário-geral da Otan, Mark Rutte, divulgados em uma série de postagens noturnas na plataforma Truth Social.
Segundo Trump, a divulgação das mensagens teve como objetivo reforçar sua posição diante das críticas ao plano de compra de um território no Ártico — ideia que tem gerado forte reação entre países europeus. Em entrevista ao jornal New York Post, o presidente afirmou que os conteúdos “apenas provaram seu ponto”.
“Eles ficam dizendo ‘vamos jantar, vamos conversar, vamos fazer isso, aquilo’. Isso só mostrou o que eu queria mostrar”, declarou Trump. Na mesma entrevista, o presidente afirmou ter passado a noite de segunda-feira envolvido em negociações para impedir uma fuga em massa de terroristas europeus presos na Síria.
De acordo com Trump, a tentativa de fuga ocorreu na prisão de Al-Shaddadi, no nordeste da Síria, onde estavam detidos extremistas ligados ao Estado Islâmico. O episódio teria acontecido após o avanço de tropas do governo sírio, liderado pelo presidente Ahmed al-Sharaa, contra forças curdas das Forças Democráticas da Síria (SDF). As autoridades curdas concordaram em transferir o controle de instalações que abrigam cerca de 8 mil combatentes do grupo extremista.
“Trabalhando com o governo da Síria e com o novo líder do país, conseguimos recapturar todos os prisioneiros e devolvê-los à prisão. Eram os piores terroristas do mundo, todos da Europa”, afirmou Trump, acrescentando que Macron e Rutte teriam elogiado sua atuação no episódio.
Enquanto isso, a retórica de Trump elevou a tensão em torno da Groenlândia. O primeiro-ministro da ilha, Jens-Frederik Nielsen, declarou em entrevista coletiva nesta terça-feira que a população e as autoridades locais precisam estar preparadas para um possível cenário de invasão militar, em meio às pressões vindas de Washington.
“Não é provável que haja um conflito militar, mas isso não pode ser completamente descartado”, disse Nielsen.
Trump deve deixar Washington na noite desta terça-feira com destino a Davos, onde participará de reuniões de alto nível com líderes europeus. A expectativa é que o tema da Groenlândia esteja no centro das conversas à margem do Fórum Econômico Mundial.
Segundo o site Business Insider, ao menos 157 jatos particulares provenientes de cerca de 40 países aterrissaram em Davos nos últimos dias. A viagem mais longa foi realizada pelo CEO da Salesforce, Marc Benioff, cujo avião partiu do Havaí e voou por aproximadamente 14 horas e meia, de acordo com dados da plataforma JetSpy. Empresas como Aramco, BlackRock, Google e JPMorgan Chase também enviaram aeronaves privadas à região. O modelo mais utilizado por bilionários é o Gulfstream G650, avaliado em cerca de US$ 65 milhões.
Em meio às movimentações diplomáticas, o subsecretário-geral da ONU para Assuntos Humanitários e coordenador de ajuda emergencial, Tom Fletcher, afirmou que o recém-anunciado Conselho de Paz de Trump não substituirá as Nações Unidas.
“As Nações Unidas não vão a lugar algum”, declarou à CNN. “A ONU foi criada para tempos difíceis, e 2026 deve ser um ano complicado. Nosso foco é continuar entregando ajuda às centenas de milhões de pessoas que atendemos em todo o mundo.”
O Conselho de Paz do presidente norte-americano é descrito em seu estatuto como uma organização internacional destinada a “garantir uma paz duradoura em áreas afetadas ou ameaçadas por conflitos”, segundo o jornal Times of Israel.
Já no campo econômico, o secretário de Comércio dos EUA, Howard Lutnick, afirmou que os Estados Unidos poderão responder com tarifas equivalentes caso a União Europeia avance com medidas de retaliação comercial.
“Podemos começar com um atrito, mas isso termina em uma conversa positiva entre Donald Trump e Ursula von der Leyen, como aconteceu da última vez”, disse Lutnick durante o Fórum Econômico Mundial. “Os Estados Unidos e a Europa são grandes aliados. Podemos discordar, mas isso não muda os fundamentos da relação.”