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O que os músculos do peito e das costas revelam sobre o risco de infarto? Estudo responde

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Um estudo conduzido por pesquisadores da Universidade de Edimburgo, na Escócia, com o uso de inteligência artificial, sugere que pessoas com músculos mais fortes e de melhor qualidade na região do peito e das costas têm menos probabilidade de sofrer um infarto ou de morrer prematuramente. A pesquisa foi publicada na revista científica Radiology.

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Os cientistas utilizaram IA para examinar tomografias computadorizadas de 1.722 pacientes, com idade média de 57,5 anos, que apresentavam dores no peito. O foco da análise foi a “atenuação” do músculo esquelético — um indicador da densidade muscular, que aparece mais clara em exames de imagem quando o tecido tem melhor qualidade e menor proporção de gordura.

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Qualidade muscular importa mais do que o tamanho

O estudo mostrou que, a cada aumento de 10 pontos no “brilho” do músculo na tomografia — o que indica maior densidade e menos infiltração de gordura —, o risco de infarto diminuía em 31% e o de morte prematura em 39% nos 10 anos seguintes ao exame. Segundo a Universidade de Edimburgo, esse resultado se manteve mesmo após ajustes por idade, sexo e outros fatores de risco cardiovascular tradicionais.

Um ponto crucial destacado pelos pesquisadores é que o tamanho dos músculos não foi associado à redução do risco. O que realmente importa é a composição e a qualidade do tecido muscular, e não o seu volume.

“É fascinante que a musculatura esquelética possa estar tão relacionada ao risco de sofrer um infarto”, afirmou a professora Michelle Williams, autora principal do estudo. “Os músculos que visualizamos nas tomografias computadorizadas coronárias que utilizamos são principalmente os músculos das costas, parte dos músculos peitorais e os músculos intercostais, localizados entre as costelas.”

A inteligência artificial a serviço da saúde

Os pesquisadores usaram a inteligência artificial para medir a qualidade muscular de forma automatizada a partir de uma única tomografia. Segundo o comunicado da universidade, a IA levou menos de um minuto para fazer a análise, enquanto um médico radiologista precisaria de várias horas para realizar o mesmo trabalho manualmente.

O estudo faz parte do ensaio clínico SCOT-HEART, que recrutou pacientes entre novembro de 2010 e setembro de 2014. Durante o acompanhamento de 10 anos, ocorreram 133 mortes (7,72% dos participantes) e 106 infartos (6,16%) entre os 1.722 pacientes avaliados.

O poder do exercício físico

O professor Bryan Williams, diretor científico e médico da British Heart Foundation, instituição que apoiou a pesquisa, afirmou que os resultados trazem mais uma evidência do poder da atividade física. “É provável que as pessoas com maior densidade muscular neste estudo fossem mais ativas fisicamente e, portanto, gozassem de melhor saúde cardiovascular”, explicou.

Williams também destacou o papel da tecnologia no diagnóstico precoce. “A inteligência artificial pode revelar rapidamente informações ocultas nos resultados dos exames, proporcionando uma imagem mais detalhada da nossa saúde do que nunca. Isso constitui mais uma prova do poder do exercício”, acrescentou.

Possíveis aplicações futuras

Os pesquisadores sugerem que exames de imagem de rotina poderiam ser usados no futuro para identificar pessoas com menor qualidade muscular e, potencialmente, maior risco cardiovascular. A partir desse diagnóstico, esses pacientes seriam orientados a praticar mais exercícios de força, receberiam acompanhamento médico mais rigoroso ou teriam prioridade no acesso a medicamentos preventivos, como as estatinas.

No entanto, os autores alertam que ainda são necessários mais estudos antes que essa abordagem automatizada possa ser aplicada de forma definitiva na prática clínica diária.

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