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Em meio a um cenário internacional marcado por tensões crescentes, o presidente da China, Xi Jinping, telefonou para o presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, nesta sexta-feira (23), e reforçou o compromisso de Pequim com o apoio à maior economia da América Latina e aos países do Sul Global.
Segundo divulgou a agência estatal chinesa Xinhua, Xi afirmou que China e Brasil, juntos, têm papel fundamental na defesa dos interesses comuns dos países em desenvolvimento e na manutenção do papel central das Nações Unidas diante de uma conjuntura internacional “turbulenta”.
A conversa de cerca de 45 minutos ocorre poucas semanas depois de uma ação militar dos Estados Unidos contra a Venezuela — incluindo o ataque à capital e a captura do presidente Nicolás Maduro para julgamento no país norte-americano — que gerou forte reação global e preocupação entre nações latino-americanas sobre o risco de futuras intervenções armadas na região.
Diálogo diplomático em meio à crise internacional
Xi destacou que, desde 2024, China e Brasil consolidaram uma parceria estratégica, alinhando iniciativas como a Belt and Road Initiative com planos brasileiros para infraestrutura, agricultura e transição energética, como exemplo de cooperação sólida entre países do Sul Global.
“China está disposta a continuar sendo uma boa amiga e parceira dos países da América Latina e do Caribe”, disse Xi ao presidente brasileiro, sublinhando a importância de que os dois países se mantenham “no lado correto da história” na defesa do multilateralismo e da **ONU como pilar da governança mundial”.
Do outro lado do espectro diplomático, o secretário-geral da ONU, António Guterres, criticou as ações dos Estados Unidos no episódio venezuelano, afirmando que a igualdade entre os Estados-membros e os princípios fundadores da organização estão sob ameaça.
Em um artigo publicado na semana passada no New York Times, Lula também questionou a intervenção americana na Venezuela, defendendo que “o futuro de qualquer país deve permanecer nas mãos do seu povo” e alertando que “um mundo de hostilidade permanente não é viável”.
Impactos regionais e geopolíticos
A conversa entre Xi e Lula acontece em um momento em que a política externa brasileira tem buscado ampliar sua ação diplomática e reforçar alianças estratégicas no Sul Global. A China, por sua vez, continua promovendo sua presença econômica e política na América Latina, especialmente diante da crescente influência estadunidense.
Analistas apontam que a manutenção de uma relação mais próxima entre Brasil e China pode influenciar não apenas acordos comerciais, mas também posturas conjuntas em grandes fóruns internacionais, como a Organização das Nações Unidas e o BRICS — bloco no qual o Brasil exerce papel de destaque.