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Saif al-Islam Gadafi, filho do ex-ditador líbio Muamar Gadafi, foi assassinado nesta terça-feira na cidade de Zintan, a cerca de 136 quilômetros ao sudoeste de Trípoli, segundo confirmaram autoridades de segurança da Líbia. Ele tinha 53 anos. As circunstâncias do crime ainda estão sob investigação, mas a imprensa local aponta que homens armados invadiram sua residência e efetuaram o ataque.
Fontes de segurança do oeste do país, que falaram sob anonimato, confirmaram a morte. O advogado de Saif al-Islam, Khaled al-Zaidi, também anunciou o falecimento nas redes sociais, sem divulgar detalhes. Abdullah Othman Abdurrahim, que o representou no diálogo político mediado pela ONU, afirmou que o assassinato ocorreu dentro da casa do ex-herdeiro do regime.
Zintan foi a mesma cidade onde Saif al-Islam permaneceu preso por quase seis anos após ser capturado em 2011, durante a queda do regime. Ele vivia no local desde 2017, quando foi libertado após receber anistia concedida por uma das administrações rivais do país, embora continuasse sob vigilância de milícias locais. Em 2015, um tribunal líbio o condenou à morte à revelia por crimes cometidos durante a repressão aos protestos da revolução. A Corte Penal Internacional também o acusava de crimes contra a humanidade.
Ex-ditador líbio Muamar Gadafi
Nascido em 1972, em Trípoli, Saif al-Islam foi o segundo filho de Muamar Gadafi e, durante anos, considerado o rosto reformista do regime. Doutor em Filosofia pela London School of Economics, ganhou projeção internacional ao mediar a libertação de enfermeiras búlgaras em 2007 e conduzir a reaproximação da Líbia com países ocidentais.
Após anos afastado da vida pública, ele reapareceu em 2021 ao anunciar candidatura à presidência da Líbia, movimento que gerou forte rejeição política. Embora tenha sido desclassificado pela comissão eleitoral, o país nunca realizou eleições, devido a disputas entre governos rivais e grupos armados.
A morte de Saif al-Islam encerra a trajetória do último membro do clã Gadafi que ainda tentava retornar à política líbia. O país segue fragmentado desde a queda e morte de Muamar Gadafi, em 2011, após mais de quatro décadas no poder, e continua sem estabilidade política ou eleições nacionais reconhecidas.