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Na quarta-feira (4), a polícia do Uruguai frustrou uma tentativa de roubo a banco no centro histórico de Montevidéu após descobrir a construção de um túnel subterrâneo que daria acesso direto a uma agência bancária localizada na Ciudad Vieja, área que concentra o principal circuito financeiro da capital. A investigação passou a repercutir no Brasil diante da suspeita de envolvimento de criminosos estrangeiros e de possíveis conexões com organizações criminosas brasileiras.
Segundo o Ministério do Interior uruguaio, o túnel ligava um imóvel comercial desocupado ao sistema de esgoto da cidade e vinha sendo utilizado pelos suspeitos para se aproximar da instituição financeira. O local havia sido alugado pelos investigados em meados do ano passado e, de acordo com as autoridades, foi a partir desse ponto que o grupo iniciou o planejamento do crime.
Durante a operação, policiais registraram as ações por meio de câmeras corporais. As imagens mostram os agentes atravessando um espaço tomado por caixas empilhadas até encontrarem uma abertura no chão, por onde acessaram o túnel. No interior da estrutura, os policiais avançaram com dificuldade, utilizando lanternas, até chegarem a um trecho mais amplo da passagem subterrânea.
A investigação que levou à descoberta do túnel começou em 11 de setembro, após uma denúncia anônima informar sobre a possível existência de um ponto de venda de drogas em Neptunia, cidade localizada a cerca de 34 quilômetros da Ciudad Vieja. A partir dessa informação, a polícia iniciou apurações que acabaram revelando a atuação de um grupo maior, formado por uruguaios e estrangeiros.
Com o avanço das investigações, os agentes identificaram movimentações suspeitas ligadas ao imóvel no centro de Montevidéu, onde foi detectada a construção do túnel em direção a uma agência bancária próxima. As informações foram repassadas ao Ministério Público, que autorizou mandados de busca e prisão.
Ao todo, a polícia realizou cinco operações de busca na Ciudad Vieja e na localidade de El Pinar, também no departamento de Canelones. Inicialmente, dez pessoas foram presas, o que permitiu frustrar o plano de roubo antes que fosse concluído. Nesta quarta-feira, o Ministério do Interior apresentou os materiais apreendidos durante a ação.
Entre os itens recolhidos estão dois veículos, ferramentas usadas em obras, como pás e picaretas, roupas utilizadas em trabalhos de escavação, um drone, câmeras de vigilância e dinheiro em espécie. Foram apreendidos cerca de 30 mil pesos uruguaios, 800 dólares e aproximadamente 37 mil reais, além de outros objetos considerados essenciais para o planejamento do crime.
De acordo com a polícia uruguaia, entre os detidos estão oito homens e três mulheres. Sete são cidadãos paraguaios e brasileiros, enquanto os demais são uruguaios. Parte dos suspeitos utilizava documentos falsos e adotava estratégias para dificultar a identificação, como o uso do idioma guarani em conversas monitoradas.
As autoridades investigam a possível ligação de integrantes do grupo com o Primeiro Comando da Capital (PCC), facção criminosa brasileira. A suspeita ganhou força após informações repassadas por órgãos de segurança do Brasil no fim do ano passado, indicando a atuação de organizações criminosas transnacionais na região.
O diretor de Investigações da Polícia Nacional do Uruguai, Julio Sena, afirmou que há cooperação em andamento com autoridades do Brasil, da Argentina e do Paraguai. Segundo ele, os indícios apontam que os suspeitos podem integrar um grupo criminoso com atuação em mais de um país da América do Sul.
O ministro do Interior do Uruguai, Carlos Negro, declarou que, caso o roubo tivesse sido concretizado, o impacto seria significativo para o sistema financeiro do país. Segundo ele, a ação causaria prejuízos não apenas à instituição bancária, mas também à economia nacional como um todo.
A investigação segue em andamento para identificar outros envolvidos e esclarecer o papel de cada integrante no esquema. As autoridades brasileiras acompanham o caso, especialmente diante da possibilidade de atuação de facções do país em crimes de grande porte fora do território nacional.