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A pressão política sobre o setor financeiro aumentou nesta segunda-feira (19). Um grupo de senadores confirmou ter atingido a marca de 42 assinaturas — superando com folga o mínimo de 27 necessário — para a abertura de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) destinada a investigar o Banco Master. O requerimento agora aguarda o despacho oficial do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), para ser formalizado.
A articulação é liderada pelo senador Eduardo Girão (Novo-CE), que revelou que o apoio básico para a comissão foi consolidado ainda no final do ano passado. Desde então, novos nomes aderiram ao pedido, refletindo a preocupação do Congresso com as recentes revelações envolvendo a instituição financeira.
A Conexão com a “Operação Compliance Zero”
O movimento parlamentar é um desdobramento direto da Operação Compliance Zero, deflagrada pela Polícia Federal (PF) em 18 de novembro. A investigação policial apura uma negociação bilionária que quase resultou na aquisição de ativos do Banco Master pelo BRB (Banco de Brasília).
O ponto central da investigação é a transferência de cerca de R$ 17 bilhões do banco público para o Master. De acordo com a PF, os ativos adquiridos na transação não teriam passado por uma avaliação técnica prévia adequada sobre o seu valor real, levantando suspeitas de irregularidades administrativas e financeiras.
A operação policial já provocou abalos nas cúpulas das duas instituições:
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Daniel Vorcaro: O controlador do Banco Master foi preso em novembro, mas obteve liberdade dez dias depois por decisão da Justiça Federal em Brasília.
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Paulo Henrique Costa: O então presidente do BRB foi afastado do cargo durante as diligências.
O Que a CPI Pretende Investigar
Se instalada, a comissão terá amplos poderes de investigação, incluindo a quebra de sigilos e a convocação de figuras-chave. Os senadores pretendem focar em três pilares:
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Depoimentos: Convocação de Daniel Vorcaro e executivos do BRB para explicar a lógica por trás da transação de R$ 17 bilhões.
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Análise Técnica: Aprofundar a apuração sobre as operações financeiras citadas no relatório da Polícia Federal.
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Responsabilização: Avaliar se houve omissão ou responsabilidade política e administrativa na gestão dos recursos do banco público brasiliense.
Do “Máxima” ao “Master”: A Ascensão de Vorcaro
O Banco Master, alvo da CPI, teve uma trajetória de crescimento acelerado. Daniel Vorcaro entrou no mercado bancário em 2017, ao adquirir participação no antigo Banco Máxima. Em 2019, ele assumiu o controle total da instituição e, em 2021, consolidou a nova marca Banco Master, intensificando operações que o colocaram no centro da atual crise política e judicial.
A expectativa dos parlamentares é que o anúncio oficial da instalação ocorra nas próximas semanas. “Aguardamos o despacho da Presidência do Senado para iniciar os trabalhos e trazer transparência a essas movimentações financeiras”, afirmaram membros da articulação liderada por Girão.