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A Corte de Apelação de Roma, na Itália, negou nesta terça-feira (10/2) o pedido da defesa da ex-deputada Carla Zambelli para substituir os juízes responsáveis pelo seu processo de extradição solicitado pelo governo brasileiro. Os advogados da ex-parlamentar alegavam “evidências de parcialidade” no colegiado, argumento que não foi aceito pela Justiça italiana.
O julgamento foi conduzido pela 1ª Seção Penal da Corte, composta exclusivamente por mulheres, sob presidência da juíza Noemi Coraggio, com as magistradas Vilma Passamonti e Ilaria Amaru. A sessão ocorreu a portas fechadas e começou com atraso devido à ausência de uma intérprete, substituída às pressas para evitar novo adiamento do processo.
A defesa havia solicitado a troca dos magistrados durante a audiência de janeiro, que originalmente analisaria o mérito da extradição. Os advogados argumentaram que decisões anteriores do colegiado indicariam uma predisposição favorável à extradição e que pedidos de produção de provas foram negados. Zambelli acompanhou a audiência por videoconferência da penitenciária feminina de Rebibbia, em Roma, onde permanece detida. Vestida com calça e tênis pretos e moletom cinza, a ex-deputada apareceu sentada em uma cadeira vermelha, em uma sala vazia, acompanhada por seus advogados, os irmãos Sammarco, e pelo procurador Erminio Amélio. A Advocacia-Geral da União (AGU) foi representada por Ilaria Sforza, substituindo Alessandro Gentiloni.
Pedidos de adiamento na Justiça italiana são comuns e frequentemente interpretados como estratégia para prolongar a permanência do investigado no país. Em dezembro, a defesa conseguiu prazo adicional alegando ter recebido o relatório do ministro do STF Alexandre de Moraes apenas um dia antes. Outras duas audiências já haviam sido remarcadas no final de 2025.
Com a rejeição do pedido, a Corte de Apelação deve julgar o mérito do processo de extradição nesta quarta-feira (11/2).
Zambelli cumpre detenção em Roma e foi condenada no Brasil em dois processos com trânsito em julgado: 10 anos e 8 meses de prisão por ser apontada como autora intelectual da invasão hacker ao sistema do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), e 5 anos e 3 meses por porte ilegal de arma de fogo e constrangimento ilegal, após perseguir um homem armado em via pública às vésperas das eleições de 2022.
Após a condenação pelo caso do CNJ, Zambelli deixou o Brasil, o que levou a Procuradoria-Geral da República (PGR) a solicitar sua prisão preventiva. O pedido foi acolhido pelo ministro Alexandre de Moraes, que determinou ainda a inclusão de seu nome na lista vermelha da Interpol, utilizada para localizar foragidos internacionais.
Em 29 de julho, a ex-deputada foi presa em Roma, em um apartamento, por determinação da Corte de Apelação italiana, que apontou “grave risco de fuga”. O governo brasileiro formalizou o pedido de extradição, que ainda está em análise.
Em dezembro de 2025, o Supremo Tribunal Federal (STF) anulou a votação da Câmara que havia rejeitado o pedido de cassação do mandato de Zambelli. Para driblar a medida, a ex-parlamentar renunciou ao cargo antes que a decisão produzisse efeito.