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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta terça-feira (21) que o Brasil poderá adotar medidas de reciprocidade após o governo dos Estados Unidos solicitar a expulsão de um delegado da Polícia Federal brasileiro que atuava em missão no país. O caso está relacionado à prisão de Alexandre Ramagem em território norte-americano.
Segundo Lula, a possível medida dos Estados Unidos configura interferência indevida. Em declaração feita em Hannover, na Alemanha, ele classificou a situação como “ingerência” e “abuso de autoridade”.
“Acho que se houve um abuso americano com relação ao nosso policial, nós vamos fazer a reciprocidade com os deles no Brasil. Não tem conversa, nós queremos que as coisas aconteçam da forma mais correta possível, mas nós não podemos aceitar essa ingerência e esse abuso de autoridade que algumas personalidades americanas querem ter em relação ao Brasil”, afirmou Lula.
A administração do presidente Donald Trump alegou que o policial brasileiro teria tentado interferir no sistema de imigração norte-americano para contornar pedidos formais de extradição ligados ao caso Ramagem, que foi detido pelo ICE, a polícia de imigração dos Estados Unidos.
Em nota, o Escritório para Assuntos do Hemisfério Ocidental declarou: “Pedimos que o funcionário brasileiro em questão deixe o país por tentar fazer isso”. O órgão ainda afirmou que o delegado teria usado sua posição para “estender perseguições políticas ao território dos Estados Unidos”.
“Nenhum estrangeiro pode manipular nosso sistema de imigração tanto para contornar pedidos de extradições formais quanto para estender caça às bruxas política ao território dos Estados Unidos. Hoje, nós pedimos que o funcionário brasileiro relevante deixe nossa nação por tentar fazer isso”, diz outro trecho da nota.
O delegado Marcelo Ivo de Carvalho atuava nos Estados Unidos desde 2023 em uma missão de cooperação com o ICE. Inicialmente, sua permanência estava prevista até agosto deste ano, mas ele acabou sendo retirado do país após a decisão do governo norte-americano.
Lula também comentou o encerramento de sua viagem pela Europa, após três dias na Alemanha e passagem anterior pela Espanha. O presidente segue agora para Portugal, onde terá reuniões com autoridades locais.
“Saí da Alemanha feliz. Tivemos boa reunião com o governo alemão, acho que vai ser muito forte o entrosamento Brasil-Alemanha. […] Nós poderemos compartilhar uma unidade mais forte do que fizemos até agora, sobretudo com o começo da implantação do acordo Mercosul-União Europeia”, declarou Lula ao deixar o hotel em Hannover.