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O presidente do Banco Central (BC) , Gabriel Galípolo, afirmou nesta terça-feira (19) que o principal problema do Banco Master não estava no passivo da instituição, mas na forma como os recursos captados eram utilizados.
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Durante audiência na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado, Galípolo disse que a preocupação do BC era que o dinheiro obtido com investidores estivesse sendo direcionado para ativos de baixa qualidade, operações pouco transparentes e estruturas difíceis de comprovar.
“Banco série C” e risco sistêmico
Galípolo afirmou que a quebra do Banco Master não representa risco sistêmico por se tratar de um “banco série C” .
O BC utiliza uma classificação regulatória de instituições financeiras por porte e relevância:
| Segmento | Descrição |
|---|---|
| S1 e S2 | Maiores bancos (relevância sistêmica) |
| Série C | Bancos de menor porte (caso do Master) |
O presidente do BC declarou não estar menosprezando o tamanho do prejuízo causado pela liquidação do banco, mas destacou o porte e a relevância reduzidos do Master dentro do Sistema Financeiro Nacional (SFN) .
O papel do FGC
Galípolo afirmou que, após a crise financeira de 2008, houve um movimento global de aumento da regulação sobre os bancos. Os custos mais elevados levaram parte da intermediação financeira para instituições não bancárias.
Porém, segundo ele, no Brasil ocorreu um movimento em sentido oposto, com instituições buscando se tornar bancos para acessar o Fundo Garantidor de Créditos (FGC) .
“Você não quer descasamento entre passivo e ativo, ou seja, que a instituição esteja fazendo uma captação no varejo, com garantia do FGC, para aplicar em ativos que não são próprios do varejo” , disse.
O presidente do BC afirmou que o problema não era apenas o passivo coberto pelo FGC, mas o fato de que o banco consumia caixa enquanto tentava honrar títulos emitidos.
O caso Banco Master
O Banco Master foi liquidado pelo Banco Central em novembro de 2025. A instituição é investigada na Operação Compliance Zero, que apura suspeitas de fraudes financeiras, lavagem de dinheiro e pagamento de vantagens indevidas.
Daniel Vorcaro, fundador do Master, está preso.
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