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Um adoçante amplamente usado em produtos sem açúcar, o sorbitol, pode elevar o risco de desenvolver uma doença hepática grave, conforme aponta uma pesquisa recente publicada na revista Science Signalling. O estudo sugere que o acúmulo do composto no organismo contribui para a doença hepática gordurosa esteatótica associada à disfunção metabólica (DHGEAM) — condição anteriormente conhecida como doença hepática gordurosa não alcoólica, não relacionada ao consumo de álcool.
Microbioma intestinal e proteção do fígado
A pesquisa analisou o microbioma intestinal de peixes-zebra e como a ausência dessas bactérias “amigáveis” afeta a saúde do fígado. Normalmente, o intestino converte parte da glicose em sorbitol e as bactérias intestinais degradam o composto, evitando acúmulo e danos. Contudo, quando os microrganismos foram removidos com antibióticos, o sorbitol se acumulou e se deslocou para o fígado, causando gordura hepática. Experimentos com sorbitol adicionado diretamente à dieta dos peixes confirmaram o mesmo efeito.
Por outro lado, bloquear a produção de sorbitol ou repor as bactérias que o degradam protegeu o fígado, segundo os cientistas. Os resultados indicam que a presença de bactérias intestinais adequadas é fundamental para prevenir doenças hepáticas relacionadas ao açúcar.
Sorbitol e frutose: ligação com o fígado gorduroso
O estudo reforça pesquisas anteriores sobre a frutose — que pode ser convertida em gordura pelo fígado — mostrando que o sorbitol, presente em produtos sem açúcar e naturalmente em frutas, pode se tornar igualmente prejudicial.
Segundo o Dr. Gary Patti, professor de química, genética e medicina da Universidade de Washington, “o sorbitol é essencialmente uma transformação próxima da frutose, que já foi associada ao desenvolvimento de células cancerígenas e à doença hepática esteatótica.” Ele alerta que mesmo quando produzido naturalmente pelo intestino, o sorbitol pode representar risco se o microbioma intestinal não estiver equilibrado.
“Se você possui as bactérias certas, o sorbitol é convertido em subprodutos inofensivos. Mas, sem elas, ele chega ao fígado e contribui para o acúmulo de gordura”, explica o pesquisador. O excesso de sorbitol na dieta pode sobrecarregar essas bactérias, aumentando o impacto sobre o fígado.
Impacto na saúde pública
A DHGEAM afeta atualmente até 20% da população no Reino Unido, segundo o British Liver Trust, embora o número real possa chegar a 40%. Cerca de 80% dos casos permanecem sem diagnóstico, pois a doença muitas vezes não apresenta sintomas ou estes são confundidos com problemas menos graves.
O Prof. Philip Newsome, diretor do Instituto de Estudos Hepáticos Roger Williams, no King’s College London, alerta: “Pessoas com sobrepeso ou diabetes têm maior risco. O aumento das doenças hepáticas no Reino Unido é preocupante, pois os sintomas são discretos até que o problema se agrave.”
Conclusão dos pesquisadores
Os cientistas destacam que, apesar de ainda ser necessário aprofundar os mecanismos de ação do microbioma sobre o sorbitol, a pesquisa desafia a ideia de que adoçantes “sem açúcar” são totalmente inofensivos. Conforme afirmou o Dr. Patti: “Vemos que o sorbitol dado aos animais acaba em tecidos por todo o corpo, mostrando que seu consumo excessivo não é livre de riscos.”