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Medicamentos populares para emagrecimento e controle do diabetes, como Ozempic e Wegovy, podem causar efeitos colaterais além da perda de peso, segundo uma nova pesquisa. Usuários relataram problemas digestivos, incluindo náusea, vômito, constipação e diarreia, além de dores de cabeça, fadiga e alterações na pele.
Agora, cientistas alertam para outro possível efeito — a tosse crônica. O estudo, publicado nesta quarta-feira, analisou registros médicos de mais de 2 milhões de pacientes entre 2005 e 2025. Foram identificados 427.555 pacientes que receberam medicamentos GLP-1, utilizados para tratar diabetes tipo 2, e comparados a 1,6 milhão de pacientes que utilizavam outros medicamentos de segunda linha para a doença.
Os medicamentos GLP-1 imitam o hormônio peptídeo-1 semelhante ao glucagon, que aumenta a produção de insulina, retarda a digestão e regula o apetite, ajudando a controlar o açúcar no sangue e o peso.
Ao comparar os dois grupos, os pesquisadores descobriram que pacientes que tomavam GLP-1 tinham até 29% mais chances de desenvolver tosse crônica nos primeiros cinco anos de tratamento. A tosse crônica é definida como aquela que dura oito semanas ou mais. Além disso, esses pacientes apresentaram maior probabilidade de serem diagnosticados com doença do refluxo gastroesofágico (DRGE), que pode causar tosse seca. Mesmo excluindo participantes com DRGE pré-existente, a associação permaneceu significativa.
Os cientistas destacam que o estudo sugere uma relação entre o uso de agonistas do receptor GLP-1 e o surgimento de tosse crônica, mas alertam que mais pesquisas são necessárias para confirmar o vínculo e entender os mecanismos biológicos envolvidos.
O estudo chega em um momento em que pesquisadores exploram novos usos para os medicamentos GLP-1, incluindo o tratamento de doenças hepáticas, renais e até redução de desejos por álcool e nicotina. Alguns estudos também investigaram o efeito desses medicamentos sobre o declínio cognitivo e doenças neurodegenerativas. No entanto, dois grandes ensaios clínicos da farmacêutica Novo Nordisk mostraram recentemente que a versão oral da semaglutida — princípio ativo de Ozempic e Wegovy — não conseguiu retardar a progressão da doença de Alzheimer em mais de 3.800 adultos com comprometimento cognitivo leve ou demência inicial.