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Pesquisas recentes mostram que hábitos alimentares e certos medicamentos podem ajudar a proteger a saúde cerebral e reduzir o risco de demência e Alzheimer. Um destaque é a dieta MIND, desenvolvida por pesquisadores da Rush University e da Harvard Chan School of Public Health, que combina elementos da dieta mediterrânea e da DASH (Dietary Approaches to Stop Hypertension).
O estilo alimentar, que prioriza frutos do mar, azeite de oliva, nozes, grãos integrais, frutas e vegetais, já é conhecido por oferecer diversos benefícios à saúde. A versão MIND vai além, focando em alimentos que estudos sugerem ajudar a preservar a função cerebral. Em um estudo publicado em 2015 no periódico Alzheimer’s & Dementia, mais de 900 participantes foram acompanhados por cerca de quatro anos e meio, e aqueles que seguiram rigorosamente a dieta reduziram seu risco de Alzheimer em 53%.
Pesquisas posteriores confirmam os efeitos. Uma revisão de 2023 envolvendo 224 mil pessoas de meia-idade, publicada em JAMA Psychiatry, mostrou que quem seguia de perto os princípios da dieta tinha 17% menos chance de desenvolver demência. Os benefícios são atribuídos às propriedades anti-inflamatórias dos alimentos recomendados e à capacidade de reduzir o estresse oxidativo, processos importantes no envelhecimento cerebral e em doenças neurodegenerativas.
Alimentos que fazem a diferença
A dieta MIND indica dez alimentos “amigos do cérebro” que já mostraram reduzir o risco de demência:
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Verduras folhosas como espinafre, couve e outros vegetais ricos em folato e vitamina K: mais de seis porções por semana.
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Outros vegetais, especialmente os coloridos: mais de uma porção por dia.
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Nozes, principalmente amêndoas e nozes, por suas gorduras saudáveis: mais de cinco porções por semana.
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Frutas vermelhas como mirtilo e morango, ricas em antioxidantes: mais de duas porções por semana.
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Feijões e leguminosas para proteína e fibras: mais de três porções por semana.
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Grãos integrais – arroz integral, quinoa e produtos de trigo integral: mais de três porções por dia.
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Peixes – peixes gordurosos (como salmão e cavala) ricos em ômega-3: mais de uma porção por semana.
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Aves – fonte de proteína magra: mais de duas porções por semana.
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Azeite de oliva para cozinhar.
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Vinho tinto, com moderação: uma taça por dia (opcional).
As cinco categorias de alimentos considerados prejudiciais são: carnes vermelhas; manteiga e margarina; queijos; doces e produtos de confeitaria; e frituras ou fast food.
Para essas opções, recomenda-se uma porção ou menos por semana.
A dieta não exige um plano rígido: ela enfatiza dez alimentos “amigos do cérebro” e recomenda limitar cinco categorias prejudiciais. Segundo os pesquisadores, uma abordagem mais flexível aumenta a adesão a longo prazo.
Além da alimentação, novas pesquisas exploram o uso de medicamentos e vacinas para reduzir o risco de demência. Atualmente, existem mais de 130 fármacos em desenvolvimento. Drogas como lecanemab e donanemab, que atuam em estágios iniciais do Alzheimer, foram aprovadas no Reino Unido, mas retardam apenas modestamente a progressão da doença, têm efeitos colaterais sérios e exigem monitoramento constante.
Estudos indicam que medicamentos já existentes podem ser reaproveitados. A vacina contra herpes zóster (cobreiro), por exemplo, pode reduzir inflamações no sistema nervoso e danos aos vasos sanguíneos cerebrais. Uma grande revisão publicada em Age and Ageing em 2025 apontou que vacinados contra o herpes zóster apresentaram 24% menos risco de qualquer demência e 47% menos risco de Alzheimer. Outras vacinas, como as contra gripe, pneumonia, tétano, difteria, coqueluche, hepatite A e B e raiva, também estão associadas à diminuição do risco, possivelmente por reduzir infecções que aumentam a inflamação cerebral.
Outro medicamento em estudo é o Viagra, que pode ajudar a prevenir demência ao melhorar o fluxo sanguíneo e a comunicação entre células cerebrais, embora mais pesquisas sejam necessárias. Drogas para perda de peso da classe GLP-1, como semaglutida (Wegovy e Ozempic), tiveram resultados mistos: um estudo nos EUA com 400 mil pessoas mostrou menor risco de demência, mas pesquisas posteriores não encontraram efeito na progressão do Alzheimer em pessoas com comprometimento cognitivo leve.
Novos ensaios clínicos continuam em andamento, enquanto especialistas alertam que dieta, vacinação e acompanhamento médico podem ser aliados importantes na prevenção de doenças neurodegenerativas.