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Novos documentos divulgados pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos revelam que o financista Jeffrey Epstein possuía registro no Cadastro de Pessoas Físicas (CPF) do Brasil. As informações constam na Biblioteca Epstein, arquivo que reúne e-mails, imagens e outros registros relacionados às investigações dos crimes sexuais pelos quais Epstein foi acusado.
Entre os arquivos, na pasta “Armário de arquivos 2”, há um documento emitido em 23 de abril de 2003 que aparece como regular no sistema da Receita Federal do Brasil, contendo o nome completo do bilionário e sua data de nascimento. O CPF de Epstein integra uma lista de documentos denominada “Arquivos Diversos I”, divulgada recentemente pelas autoridades americanas.
A Receita Federal esclareceu que a possibilidade de estrangeiros solicitarem inscrição no CPF está prevista na Instrução Normativa 2.172/2024. No caso de pessoas falecidas, como Epstein, qualquer medida relacionada ao CPF só pode ser solicitada por inventariante, cônjuge, companheiro ou sucessor legal, caso haja bens a inventariar no Brasil; ou por cônjuge, companheiro, parente ou beneficiário de pensão por morte, se não houver bens a inventariar.
Os arquivos também mostram que Epstein chegou a considerar a possibilidade de obter cidadania brasileira. Em troca de e-mails com a empresária e investidora alemã Nicole Junkermann, datada de outubro de 2011, ela perguntou se o bilionário já havia pensado em adquirir a nacionalidade brasileira. Epstein respondeu: “Ideia interessante, mas os vistos podem ser um problema ao viajar para outros países.” Ainda no mesmo dia, os dois se encontraram no Ritz, hotel de luxo da rede The Ritz-Carlton.
O escândalo envolvendo Epstein remonta a 2005, quando a polícia de Palm Beach, na Flórida, investigou o bilionário por abuso sexual de menores. Na época, ele alegou que os encontros foram consensuais e que acreditava que as vítimas tinham 18 anos. Segundo as acusações, Epstein abusou de menores ou recrutou garotas para atos sexuais entre 2002 e 2005. Em 2008, ele se declarou culpado por exploração de menores e cumpriu 13 meses de prisão, além de pagar indenizações às vítimas.
Em 2019, o caso voltou à Justiça americana. Em fevereiro, um juiz considerou ilegal o acordo firmado em 2008, e em julho Epstein foi preso novamente, acusado de abuso de menores e de operar uma rede de exploração sexual. De acordo com a acusação, o bilionário pagava centenas de dólares para que meninas realizassem atos sexuais em seus imóveis e em sua ilha particular no Caribe, incentivando-as a recrutar outras garotas. O governo dos EUA afirma que mais de 250 meninas foram exploradas sexualmente por Epstein.
Epstein foi encontrado morto em agosto de 2019, em sua cela, com a autópsia apontando suicídio. Dois dias antes, ele havia assinado um testamento deixando um patrimônio estimado em mais de US$ 577 milhões. Após sua morte, as acusações contra ele foram retiradas, mas procuradores e advogados das vítimas afirmam que podem responsabilizar outras pessoas envolvidas no esquema e buscar indenizações na Justiça.
Os documentos que mostram o CPF brasileiro e o interesse de Epstein em obter cidadania nacional lançam uma nova luz sobre a dimensão internacional das atividades e dos vínculos do bilionário, reforçando a complexidade do caso que mobilizou autoridades de diversos países.