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A defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) protocolou um novo pedido junto ao Supremo Tribunal Federal (STF) nesta segunda-feira (15), solicitando a autorização urgente para a realização de uma cirurgia e a concessão de prisão domiciliar humanitária. O ex-chefe do Executivo cumpre pena de 27 anos e 3 meses por tentativa de golpe de Estado na Superintendência da Polícia Federal (PF), em Brasília, desde 25 de novembro.
O recurso, encaminhado ao ministro Alexandre de Moraes, relator da execução penal, alega que exames recentes indicam um agravamento do quadro de saúde de Bolsonaro, tornando imprescindível uma intervenção cirúrgica imediata.
Hérnias Ameaçam Intestino e Exigem Intervenção
Os advogados de Bolsonaro baseiam o novo pedido em exames de imagem, especificamente um ultrassom da região abdominal e da virilha, realizado no domingo (14) na própria Superintendência da PF.
O exame foi autorizado por Moraes na noite de sábado (13), atendendo a uma solicitação da defesa. Dois dias antes, o ministro havia determinado que a PF realizasse uma perícia médica oficial, no prazo de 15 dias, para avaliar a real necessidade de uma intervenção cirúrgica imediata.
O resultado do ultrassom confirmou a presença de duas hérnias inguinais bilaterais:
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Hérnia no lado direito: Onde parte do intestino se projeta para fora da parede abdominal quando há esforço.
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Hérnia no lado esquerdo: Com deslocamento de tecido de gordura.
A defesa sustenta que a condição clínica do ex-presidente evoluiu, e as hérnias agora apresentam risco de se tornarem encarceradas, o que significa que podem prender ou comprimir parte do intestino, exigindo uma cirurgia emergencial.
Laudo Médico Conclusivo Indica Cirurgia com Anestesia Geral
O pedido é reforçado por um novo laudo médico conclusivo, assinado pelo cirurgião Cláudio Birolini. O documento descreve o estado de saúde do sentenciado como “grave, complexo e progressivamente debilitado”, destacando a “evolução objetiva e comprovada do quadro clínico”.
O relatório médico aponta que o procedimento cirúrgico indicado é uma herniorrafia inguinal bilateral, que deve ser realizada em ambiente hospitalar e sob anestesia geral. A previsão de internação após a cirurgia é de cinco a sete dias.
Além da cirurgia das hérnias, o laudo cita a necessidade de considerar um procedimento para bloquear temporariamente o nervo frênico. Este nervo é crucial para os movimentos do diafragma. O objetivo seria controlar as crises frequentes de soluço que o ex-presidente tem enfrentado. Os médicos alertam que esses episódios de soluço elevam a pressão no abdômen, o que, por sua vez, pode piorar o quadro das hérnias.
Risco de Agravamento Súbito Reforça Pedido de Prisão Domiciliar
Os advogados argumentam que manter o ex-presidente no sistema prisional é incompatível com a gravidade de seu estado de saúde. A defesa reforça que a simples postergação da cirurgia o expõe a um “risco concreto de agravamento súbito e internação emergencial”.
Por essa razão, além da autorização para que o procedimento cirúrgico seja realizado, o novo pedido solicita que os elementos médicos apresentados sejam considerados como reforço ao pleito anterior de prisão domiciliar humanitária. A defesa busca garantir que Bolsonaro possa se recuperar em um ambiente adequado e com acompanhamento médico constante após a intervenção.
A prisão do ex-presidente ocorreu no final de novembro, após ser condenado pelo STF em um processo que o considerou culpado por crimes contra o Estado Democrático de Direito.
Até o momento desta publicação, o ministro Alexandre de Moraes não havia se manifestado sobre o novo pedido protocolado pela defesa nesta segunda-feira.