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🧡 Ver Ofertas na ShopeeO Brasil registrou 42.590 homicídios em 2024, o equivalente a 20,1 mortes a cada 100 mil habitantes – a menor taxa desde 2013. O dado faz parte do Atlas da Violência 2026, produzido pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), divulgado nesta terça-feira (26).
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A queda ano a ano
Em comparação com 2023, a taxa de homicídios caiu 7,4% , enquanto o número absoluto de vítimas recuou 6,9% . No ano anterior, o país havia registrado 45.747 assassinatos.
Nos últimos cinco anos (2019-2024), a redução foi de 8,6% na taxa e 6,4% no total de mortes. Em dez anos (2014-2024), a taxa nacional caiu 33,4% , e o número de vítimas recuou 29,6%.
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Os fatores da redução
Pesquisadores apontam três fatores principais para explicar a queda:
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Políticas de segurança baseadas em evidências: mudanças nas estratégias estaduais e municipais, focadas em diagnósticos precisos de onde o crime ocorre
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Dinâmica do crime organizado: tréguas entre facções em algumas regiões
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Envelhecimento da população: jovens são o principal perfil das vítimas de homicídio, e o país tem uma parcela cada vez menor dessa faixa etária
A ressalva do Atlas
A queda, no entanto, deve ser lida com cautela. Isso porque cresceram as mortes violentas por causa indeterminada – categoria que pode ocultar homicídios não classificados oficialmente. Os homicídios ocultos quase dobraram em 2024: passaram de 3.755 para 7.083, alta de 88,6% .
Com isso, a proporção de homicídios ocultos em relação ao total estimado saltou de 7,6% em 2023 para 14,3% em 2024.
Números estimados
Considerando uma metodologia baseada em aprendizado de máquina para estimar os homicídios ocultos, o Brasil teria registrado 49.673 homicídios em 2024, com taxa de 23,4 mortes por 100 mil habitantes. Nesse cenário, a queda em relação a 2023 seria de apenas 0,4% , bem menor do que os 7,4% apontados pelos registros oficiais.
“Os remédios que aparentemente funcionam, ou pelo menos funcionaram em outras cidades e países, e que a ciência diz que funcionam, precisam ser considerados. É preciso fazer política baseada em evidência e montar um sistema de gestão que integre ações de curto prazo, com repressão qualificada da polícia, e ações intersetoriais de prevenção social à violência”, afirma Daniel Cerqueira, técnico do Ipea e coordenador do Atlas.
Concentração da violência
A violência letal segue concentrada no território:
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50% dos homicídios ocorreram em apenas 99 municípios (cerca de 1,8% das cidades brasileiras)
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Os 10 municípios com maior número absoluto de homicídios concentraram 19,4% do total nacional
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1.578 municípios não registraram nenhum homicídio estimado em 2024
Os estados mais violentos
Em 2024, 18 unidades da federação tiveram taxa de homicídios acima da média nacional (20,1/100 mil). As maiores taxas foram registradas nas regiões Norte e Nordeste, enquanto estados do Sul, do Sudeste e o Distrito Federal mantiveram os menores índices.
Onde a taxa mais caiu e onde subiu
Entre 2023 e 2024:
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Maranhão teve alta de 7,6%
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Ceará registrou aumento de 5,2%
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São Paulo permaneceu estável
As maiores quedas em números absolutos ocorreram no Rio de Janeiro (772 homicídios a menos), na Bahia (555 a menos), no Rio Grande do Sul (280 a menos), em Goiás (229 a menos) e no Amazonas (229 a menos).
O destaque negativo de dez anos
Na série histórica de 2014 a 2024, o Amapá foi o caso mais destoante: foi a única unidade da federação com aumento expressivo tanto da taxa de homicídios (30,2%) quanto do número absoluto de mortes (41,8%). Pernambuco também terminou 2024 com taxa ligeiramente superior à de 2014, alta de 1,1%.
As maiores quedas no período ocorreram no Distrito Federal (66,2%), em Goiás (58,4%), em Sergipe (54,6%), em São Paulo (53,2%) e no Rio Grande do Norte (51,6%).
A ressalva sobre os dados
O Atlas alerta que a análise dos homicídios registrados no Sistema de Informações sobre Mortalidade, do Ministério da Saúde, fica prejudicada quando uma parcela das mortes violentas não tem a intencionalidade identificada. A diferença entre a taxa estimada e a taxa registrada chegou a 3,3 pontos em 2024, acima da média observada entre 2014 e 2017 (1,8 ponto). Para os pesquisadores, isso indica piora recente na capacidade de identificar corretamente a intencionalidade das mortes violentas.




















































