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🧡 Ver Ofertas na ShopeeO Talibã aprovou um novo código penal no Afeganistão que permite que maridos agridam fisicamente suas esposas, desde que não haja “lesão corporal grave”. Conforme relatado pelo jornal britânico Daily Mail, o documento, com cerca de 90 páginas, foi assinado pelo líder supremo do regime, Hibatullah Akhundzada, e já foi distribuído aos tribunais do país.
Chamado de De Mahakumu Jazaai Osulnama, o código estabelece diferentes punições de acordo com a posição social do acusado e divide a sociedade afegã em quatro categorias: estudiosos religiosos (ulama), elite (ashraf), classe média e classe baixa. O texto também diferencia pessoas “livres” e “escravizadas”, colocando mulheres no mesmo nível que escravos.
Entre os trechos mais controversos está a permissão para que “senhores” — termo aplicado aos maridos — imponham punições físicas às esposas e subordinados. Já integrantes da elite ou líderes religiosos que cometam infrações podem receber apenas advertências ou intimações judiciais. Para a classe média, o mesmo crime pode resultar em prisão, enquanto a classe baixa pode ser submetida a punição corporal e detenção.
O artigo 32 determina que o marido só poderá ser condenado a 15 dias de prisão se agredir a esposa com um bastão e causar ferimentos graves, como cortes ou hematomas — e apenas se a mulher conseguir provar a agressão diante de um juiz. No entanto, o próprio código exige que ela permaneça totalmente coberta ao comparecer à Justiça e esteja acompanhada por um tutor masculino, geralmente o próprio marido.
O texto também não condena explicitamente violência sexual ou psicológica contra mulheres. Além disso, impede que elas busquem abrigo na casa de familiares para fugir de agressões.
Segundo o movimento de direitos humanos Rawadari, o artigo 34 prevê que uma mulher que vá repetidamente à casa do pai ou de parentes sem autorização do marido e se recuse a retornar pode ser condenada a até três meses de prisão. Familiares que a acolherem também podem ser punidos.
O novo código provocou indignação de ativistas no exterior, enquanto dentro do Afeganistão o medo de represálias limita manifestações públicas. O regime também determinou que discutir o conteúdo da lei pode ser considerado infração.
A relatora especial da ONU sobre violência contra mulheres e meninas, Reem Alsalem, afirmou que as implicações das novas normas são “simplesmente aterrorizantes” e questionou se a comunidade internacional tomará medidas para conter o avanço das restrições.
O endurecimento das leis islâmicas no Afeganistão também atinge homens. Em janeiro, o Ministério para a Propagação da Virtude e Prevenção do Vício determinou que é obrigatório deixar a barba crescer além do tamanho de um punho. O ministro Khalid Hanafi afirmou que é responsabilidade do governo garantir que a aparência da população esteja de acordo com a sharia (lei islâmica).
Em novembro, um guia distribuído a imãs classificou raspar a barba como “grande pecado”. Segundo relatório das Nações Unidas, três barbeiros na província de Kunar foram presos por três a cinco meses no ano passado por descumprirem as regras.
As novas medidas reforçam o controle social imposto pelo Talibã desde que retomou o poder no país, ampliando restrições sobretudo sobre mulheres e intensificando a vigilância sobre comportamentos considerados incompatíveis com a interpretação do regime sobre a lei islâmica.


















































































