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A Polícia Federal (PF) instaurou um inquérito para investigar denúncias de que influenciadores digitais teriam sido abordados para produzir conteúdos em defesa do Banco Master e contra o Banco Central (BC), responsável por decretar a liquidação da instituição financeira no fim do ano passado. A apuração busca esclarecer a existência de uma possível campanha coordenada para descredibilizar a atuação do BC após a intervenção no banco comandado por Daniel Vorcaro.
As suspeitas vieram à tona após influenciadores alinhados à direita, como Rony Gabriel e Juliana Moreira Leite, relatarem publicamente que receberam propostas para divulgar a narrativa de que o Banco Central teria agido de forma precipitada ao determinar a liquidação do Master. Segundo os relatos, a ideia seria disseminar vídeos e postagens questionando a decisão da autoridade monetária e reforçando o argumento de que o banco seria vítima de uma suposta injustiça regulatória.
O caso ganhou dimensão nacional depois que denúncias semelhantes passaram a circular entre influenciadores e políticos, revelando a atuação de uma empresa intermediária responsável por articular os contatos. A informação foi divulgada inicialmente pela colunista Malu Gaspar, do jornal O Globo, e impulsionou novos levantamentos sobre o alcance da mobilização digital.
De acordo com apuração da Folha de S.Paulo, ao menos 46 perfis publicaram ataques simultâneos ao Banco Central nos últimos dias, muitos deles ligados a páginas de fofoca ou entretenimento, sem histórico de cobertura de temas econômicos. As postagens se concentraram a partir do fim de dezembro, período em que também foi identificado um aumento expressivo de menções ao BC e ao Banco Master nas redes sociais.
Um levantamento da Federação Brasileira dos Bancos (Febraban) aponta um crescimento atípico dessas menções no final do ano passado, com pico em 27 de dezembro, quando mais de 4.500 publicações abordaram o tema em um único dia. O volume reforça a suspeita de uma ação coordenada para influenciar a opinião pública.
Entre os influenciadores procurados, o vereador de Erechim (RS) Rony Gabriel (PL) afirmou ter recusado a proposta. Segundo ele, o contato foi feito em nome de uma empresa intermediária. “Fui procurado para dizer que o Banco Master era uma vítima do Banco Central. Só que a verdade não é essa, não vou fazer o vídeo com base numa mentira”, declarou.
Além disso, chamou a atenção das autoridades o fato de páginas sem relação com o noticiário econômico terem passado a publicar críticas ao BC, incluindo menções nominais a diretores da instituição. O inquérito deverá apurar se essas ações configuram campanha difamatória organizada ou tentativa de manipulação do debate público em torno da liquidação do Banco Master.