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O conselho de administração da Warner Bros. Discovery (WBD) rejeitou de forma unânime a proposta melhorada apresentada pela Paramount, reafirmando a preferência pelo acordo firmado com a Netflix, informou a empresa em comunicado divulgado nesta quarta-feira. Segundo a WBD, a oferta pública de aquisição da Paramount Skydance “não atende aos interesses da companhia nem de seus acionistas”, por continuar inferior, em pontos-chave, à fusão prevista com a Netflix.
A Paramount manteve o valor da proposta em US$ 108,4 bilhões, mas promoveu ajustes, incluindo uma garantia pessoal de US$ 40,4 bilhões oferecida por Larry Ellison, fundador da Oracle e aliado do presidente Donald Trump. De acordo com o comunicado, a medida buscava reforçar a solidez financeira da operação. David Ellison, filho de Larry Ellison, é o diretor-executivo da Paramount Skydance, empresa que controla um dos estúdios mais tradicionais de Hollywood, além de redes como a CBS.
O conselho da WBD justificou a rejeição citando os custos elevados, riscos e incertezas significativas associados à proposta da Paramount. Em carta enviada aos acionistas, a empresa destacou que o alto nível de financiamento por meio de dívida aumenta o risco de a operação não ser concluída, especialmente quando comparado à “maior previsibilidade” do acordo com a Netflix.
No dia 5 de dezembro, a Netflix surpreendeu o mercado ao anunciar um acordo para adquirir a Warner Bros. Discovery e o serviço de streaming HBO Max por cerca de US$ 83 bilhões, na que seria a maior transação do setor na última década. Três dias depois, a Paramount lançou uma oferta hostil de US$ 108,4 bilhões, promovendo posteriormente ajustes para tentar responder às preocupações relacionadas ao volume de endividamento necessário para viabilizar a compra.
Desde então, a direção da Warner tem rejeitado repetidamente as investidas da Paramount e recomendado que os acionistas apoiem a venda dos negócios de estúdios e streaming à Netflix por US$ 72 bilhões, conforme afirmou Samuel Di Piazza Jr., presidente do conselho da WBD. Segundo ele, a proposta da Paramount “continua oferecendo valor insuficiente”, além de prever “uma quantidade extraordinária de financiamento por dívida, o que gera riscos para a conclusão da operação e não garante proteção adequada aos acionistas caso o negócio não seja finalizado”. Em contrapartida, destacou que o acordo com a Netflix “oferece maior valor e um nível superior de segurança”.
A Paramount não respondeu imediatamente aos pedidos de comentário, mas sua oferta hostil permanece válida. Os acionistas da Warner têm até 21 de janeiro para decidir se aderem à proposta.
No fim de dezembro, a Paramount anunciou uma “garantia pessoal irrevogável” de Larry Ellison para assegurar US$ 40,4 bilhões em financiamento de capital. A empresa também elevou para US$ 5,8 bilhões a compensação prometida aos acionistas caso a operação seja barrada por reguladores, igualando a chamada breakup fee prevista no acordo com a Netflix.
Na carta aos investidores, a Warner manifestou preocupação com possíveis restrições operacionais impostas pela proposta da Paramount, alertando que essas condições poderiam prejudicar o desempenho da companhia durante o processo de fusão. A empresa também afirmou que a oferta equivale, na prática, a uma compra altamente alavancada, devido ao elevado nível de endividamento envolvido.
A disputa pelo controle da Warner é complexa porque Netflix e Paramount têm interesses distintos. O acordo da Netflix prevê a aquisição apenas dos negócios de estúdios e streaming, incluindo o HBO Max e as divisões de produção de cinema e televisão. Já a Paramount busca comprar toda a empresa, o que engloba também canais como CNN e Discovery.
Caso o acordo com a Netflix seja concluído, as áreas de notícias e TV a cabo da Warner se tornariam uma companhia independente, conforme o plano de separação já anunciado.
A expectativa é de que qualquer uma das fusões leve mais de um ano para ser finalizada e enfrente um rigoroso escrutínio antitruste. Pelo porte e impacto das operações, o Departamento de Justiça dos Estados Unidos deve analisar o caso e pode tentar barrar o negócio ou exigir mudanças. Além disso, reguladores de outros países também podem apresentar objeções. O processo ainda pode sofrer influência política, em um cenário no qual o presidente Donald Trump já fez declarações sobre uma possível intervenção na aprovação do acordo.