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O jornalista de celebridades Leo Dias é o mais novo nome envolvido na rede de pagamentos do Banco Master, instituição que pertencia ao banqueiro Daniel Vorcaro (atualmente preso) e que foi liquidada pelo Banco Central. Um relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), revelado pelo jornal O Estado de S. Paulo nesta quarta-feira (8), aponta que a empresa Leo Dias Comunicação e Jornalismo recebeu ao menos R$ 9,9 milhões diretamente do banco entre fevereiro de 2024 e maio de 2025.
Além dos valores diretos, Leo Dias recebeu outros R$ 2 milhões da empresa LD Produções, cujo faturamento depende quase inteiramente (90%) de aportes do Master. Somados, os valores vinculados ao conglomerado de Vorcaro representam uma fatia significativa da receita do jornalista.
O documento do Coaf detalha um fluxo financeiro intenso. Nos 15 meses analisados, entraram R$ 34,9 milhões nas contas da empresa de Leo Dias, enquanto as saídas somaram R$ 35,7 milhões. Os repasses do Master correspondem a 28% do faturamento total da empresa no período.
O órgão de controle financeiro levantou alertas sobre a natureza dessas transações, concluindo que:
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Há indícios de movimentações em benefício de terceiros (pagamento de boletos) sem justificativa clara;
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A movimentação em conta é superior à capacidade financeira declarada pela empresa;
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Identificou-se o recebimento de créditos com o débito imediato dos valores.
A investigação também mapeou um repasse de R$ 2 milhões vindo da LD Produções. Apesar do nome sugerir uma ligação direta com o jornalista, a empresa pertence a Flávio Carneiro, empresário mineiro próximo a Daniel Vorcaro e parceiro de negócios de Fabiano Zettel, cunhado e apontado como operador financeiro do banqueiro.
Questionado, Carneiro não esclareceu as movimentações. A assessoria de Leo Dias, por sua vez, não comentou especificamente a transação de R$ 2 milhões com a LD Produções.
Em nota, Leo Dias afirmou que os valores são lícitos e frutos de uma parceria comercial. De acordo com o jornalista, o Grupo Master, através da marca Will Bank, manteve um contrato publicitário com suas empresas no período de outubro de 2024 a outubro de 2025. O Will Bank era o braço digital do Master e também foi atingido pela liquidação do Banco Central.
O caso de Leo Dias soma-se aos repasses feitos a políticos, grandes portais de notícias e escritórios de advocacia que estão sob o escrutínio da CPI do Crime Organizado. A Receita Federal e o Coaf seguem rastreando como o dinheiro do banco de Daniel Vorcaro circulou por diferentes setores da sociedade brasileira antes do colapso da instituição.