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Vídeos publicados nas redes sociais mostram a velocidade com que um incêndio devastou um complexo de apartamentos em Hong Kong na quarta-feira (26), deixando pelo menos 83 mortos e mais de 200 desaparecidos, segundo o balanço atualizado das autoridades nesta quinta-feira.
A polícia afirmou que a causa do incêndio pode ter sido negligência grave de uma construtora, que teria utilizado materiais inseguros.
As imagens mostram andaimes voando dos edifícios, envolvidos em uma rede verde usada para proteger a construção em reforma, enquanto as chamas se alastram e a fumaça envolve vários prédios no complexo Wang Fuk Court.
Os oito blocos do compacto complexo abrigam 2.000 apartamentos, com mais de 4.600 moradores, no centro financeiro que enfrenta escassez crônica de moradias acessíveis.
O incêndio, que atingiu sete dos oito edifícios, já deixou 75 mortos, 76 feridos hospitalizados — entre eles dez bombeiros — e pelo menos 279 desaparecidos, de acordo com os últimos números divulgados pelos serviços de emergência. Um sobrevivente foi encontrado nas escadas do prédio, e outros 62 moradores ainda estão presos dentro dos imóveis.
Os bombeiros confirmaram o resgate de um novo sobrevivente, um homem localizado na escada do 16º andar de um dos edifícios afetados.
O sinistro, registrado na tarde de quarta-feira, devastou sete dos oito blocos de 31 andares que compõem o Wang Fuk Court, no distrito de Tai Po, e se tornou o pior incêndio urbano em Hong Kong em três décadas.
O fogo começou em um prédio e se espalhou rapidamente, impulsionado pelos andaimes de bambu cobertos com telas de proteção, lonas impermeáveis e placas de poliestireno expansivo usadas na reforma externa iniciada em julho de 2024.
As autoridades consideraram a velocidade de propagação “inusual” e confirmaram a presença de materiais altamente inflamáveis dentro dos blocos.
Até a manhã desta quinta, os incêndios em sete prédios já estavam sob controle, restando chamas em apenas três, após quase 10 horas de operação contínua. Pouco depois, o chefe do Executivo, John Lee, afirmou que o incêndio em todos os prédios estava “totalmente controlado”.
O Departamento de Bombeiros mobilizou 1.250 profissionais, 304 veículos de emergência, 26 equipes especializadas e quatro drones para vigilância aérea, avançando andar por andar nas tarefas de resgate e resfriamento.
Os comandantes alertaram para risco de colapso parcial dos andaimes, já com queda de fragmentos, exigindo máxima precaução das equipes.
A polícia prendeu dois diretores e um consultor de engenharia da construtora responsável pela obra, acusados de homicídio culposo pelo uso de materiais que teriam facilitado a rápida propagação do fogo.
Agentes também realizaram buscas nas escritórios da administradora do complexo e na residência de um dos suspeitos, enquanto a investigação sobre a origem do incêndio continua.
Paralelamente, a Comissão Independente Contra a Corrupção (ICAC) abriu investigação sobre possíveis irregularidades ou práticas corruptas na obra de reforma, avaliada em 330 milhões de dólares de Hong Kong (42 milhões de dólares).
Lee, em entrevista, classificou a tragédia como uma “catástrofe em grande escala” e anunciou a suspensão de todos os atos de campanha para as eleições do Conselho Legislativo, marcadas para 7 de dezembro, além de abrir a possibilidade de revisão da data do pleito.
Em reunião interdepartamental, Lee ordenou inspeções imediatas em todas as construções em andamento em Hong Kong para verificar a segurança dos andaimes e materiais.
A onda de solidariedade se multiplicou nesta quinta, com anúncios de apoio do setor privado. A Fundação Jack Ma, Alibaba e Ant Group comprometeram 60 milhões de dólares de Hong Kong (7,7 milhões de dólares americanos) para ajudar as famílias afetadas e os serviços de resgate.
Empresas como BYD, NetEase, Trip.com, ByteDance e Didi também doaram 10 milhões de dólares de Hong Kong cada para os esforços de assistência.
A tragédia superou o saldo do incêndio do edifício comercial Garley, em 1996, em Kowloon, que deixou 41 mortos e até então era considerado o pior incêndio urbano em tempos de paz em Hong Kong.
(Com informações da Reuters e EFE)