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Câmara aprova texto-base da MP de Bolsonaro sobre setor elétrico

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Nesta quarta-feira (16), a Câmara dos Deputados aprovou o texto-base da medida provisória (MP 998) do setor elétrico. A MP do presidente Jair Bolsonaro estipula o uso de recursos da RGR (Reserva Global de Reversão) e da CDE (Conta de Desenvolvimento Energético) para reduzir o impacto do reajuste tarifário de distribuidoras da Eletrobras que foram privatizadas, beneficiando Estados das regiões Norte e Nordeste.

Falta ainda a análise dos destaques –propostas de alteração que serão votadas nesta quinta-feira (17) e depois segue para votação no Senado.

A MP cria também novas fontes de recursos para a CDE: serão transferidos 30% dos recursos que as concessionárias de energia elétrica são obrigadas a aplicar em P&D (programas de pesquisa e desenvolvimento) e de eficiência energética de 2021 a 2025. A regra tem como objetivo diminuir potenciais aumentos tarifários por causa dos efeitos da pandemia, que fez cair o consumo de energia.

As distribuidoras já fizeram empréstimos de R$ 15,3 bilhões para compensar as perdas de receita.

Atualmente, há R$ 3,4 bilhões não utilizados em projetos de P&D e eficiência energética que podem ser direcionados à CDE.

Para reduzir os efeitos da retirada do subsídio para energia solar, eólica e de biomassa, o prazo dos benefícios, que acabariam em setembro, foram estendidos para 12 meses após a promulgação da lei.

A proposta de Bolsonaro também permite incentivo à geração de energia a partir de fontes renováveis em prédios públicos. A versão aprovada foi o relatório do deputado Léo Moraes (Podemos-RO), que acatou emendas para fomentar a competição nos leilões de geração e fazer com que os novos contratos celebrados permitam preços mais baixos para a população.

Além disso, determina que a usina termelétrica nuclear Angra 3, no Rio de Janeiro, seja explorada exclusivamente por empresas estatais. A MP determina ainda a transferência de todas as ações da INB (Indústrias Nucleares do Brasil) e da Nuclep (Nuclebrás Equipamentos Pesados) para a União, inclusive as que estão nas mãos da iniciativa privada.

As duas estatais, que hoje atuam como sociedades de economia mista, serão transformadas em empresas públicas vinculadas ao Ministério de Minas e Energia.

Pelo menos 2 aumentos tarifários foram registrados na região Norte: no Amazonas, a Amazonas Energia teve aumento médio de 5,31%, a partir de 1º de novembro. No Acre, a alta foi de 2,95% nas tarifas da Energisa Acre, a partir de 13 de dezembro.

Em ambos os casos, a Aneel afirma que o reajuste seria ainda maior não fosse a medida provisória.

Com a MP de Bolsonaro, os consumidores da região Norte não precisarão mais pagar pelos empréstimos fornecidos às distribuidoras na época em que elas estavam sob controle temporário da União, que precedeu a privatização.

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