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Um novo e abrangente artigo publicado na revista The Lancet reforça a ligação entre o consumo crescente de alimentos ultraprocessados (AUPs) e um risco aumentado para uma dúzia de condições de saúde graves. O estudo aponta para uma mudança dietética global preocupante, na qual comidas industrializadas estão substituindo alimentos frescos.
O consumo de AUPs — que incluem sopas enlatadas, salgadinhos, refrigerantes, biscoitos e refeições congeladas — está em franca ascensão em todo o mundo. Este é o foco de uma nova análise de três artigos na série The Lancet, que consolida evidências sobre a ameaça que esses produtos representam para a saúde pública.
Disparada Global no Consumo
O estudo utiliza dados de análises recentes e meta-análises para mapear o aumento do consumo. Em países como Estados Unidos e Reino Unido, os ultraprocessados já respondem por mais de 50% das calorias consumidas.
A situação é ainda mais dramática em economias emergentes:
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Na Espanha e China, o consumo triplicou nos últimos três anos.
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No México e Brasil, a contribuição energética dos AUPs nas dietas saltou de 10% para 23% em apenas quatro anos.
Segundo os pesquisadores, essa tendência está “remodelando as dietas”, resultando na substituição de alimentos frescos e minimamente processados pelos produtos do Grupo 4 da classificação NOVA, que são definidos como “formulações de ingredientes, em sua maioria de uso exclusivamente industrial”.
Conexão com Doenças Reforçada
A pesquisa revisou 104 estudos de longo prazo e encontrou que 92 deles — uma esmagadora maioria — confirmaram a associação entre a alta ingestão de AUPs e um risco elevado para 12 desfechos negativos de saúde.
Entre as 12 condições ligadas ao consumo de ultraprocessados estão:
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Obesidade abdominal e sobrepeso/obesidade geral
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Diabetes tipo 2
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Doenças cardiovasculares e coronarianas
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Doença renal crônica e cerebrovascular
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Depressão
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Doença de Crohn
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Hipertensão e colesterol alto
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Mortalidade por todas as causas
Estudos anteriores já alertavam para a relação entre o alto consumo de AUPs e taxas de mortalidade mais altas, além do impacto negativo no microbioma intestinal e possíveis ligações com doenças como o Alzheimer.
Dicas para Redução e Implicações para a Saúde
Especialistas consultados sobre o novo artigo enfatizaram a necessidade de ação. Mir Ali, médico, comentou ao Medical News Today sobre as implicações diretas da pesquisa para os profissionais de saúde no aconselhamento de pacientes.
A nutricionista registrada Monique Richard ofereceu orientações práticas, recomendando que as pessoas se concentrem em incorporar alimentos ricos em nutrientes na dieta diária e façam a redução gradual dos ultraprocessados, em vez de buscar a eliminação total imediata.