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UEFA notifica FIFA e avalia ação legal por plano secreto de privatização da Copa do Mundo

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Confederação europeia enviou notificação formal a Gianni Infantino datada de 31 de julho; entidade avalia denúncias a órgãos reguladores e procedimentos de arbitragem; projeto previa a venda de 20% da FFE, avaliada em US$ 20 bilhões.

A UEFA notificou formalmente a FIFA, em uma comunicação datada de 31 de julho, de que avalia ativamente o início de ações legais contra a entidade máxima do futebol devido ao projeto de criação da subsidiária Fifa Forward Enterprise (FFE). O plano previa a abertura do capital de competições da FIFA, incluindo a Copa do Mundo, a investidores privados.

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De acordo com o documento ao qual a agência EFE teve acesso, a UEFA também exigiu que a FIFA preserve toda a documentação vinculada ao plano, tanto física quanto eletrônica. A carta, dirigida ao presidente da FIFA, Gianni Infantino, alerta para a possibilidade de apresentar denúncias perante autoridades reguladoras ou iniciar procedimentos de arbitragem.

Preservação de documentos e ameaça legal

O texto exige que a entidade suspenda imediatamente qualquer destruição de arquivos relacionados à iniciativa, sob advertência de consequências legais em caso de descumprimento. Entre os materiais cuja preservação a UEFA exige estão os documentos do projeto, comunicações internas, mecanismos de pagamento às associações nacionais, prazo limite de aceitação — fixado para 19 de setembro — e trocas de mensagens com membros do Conselho da FIFA.

O requerimento alcança também uma dezena de funcionários do organismo, entre eles o diretor de operações, Kevin Lamour, que em 31 de julho denunciou publicamente que a administração da FIFA havia sido enganada.

“É o projeto de uma única pessoa e não deve seguir adiante”, afirmou Lamour, segundo a agência EFE.

O projeto que dividiu o futebol mundial

A proposta da FIFA contemplava a venda de 20% da Fifa Forward Enterprise, com uma valorização estimada em US$ 20 bilhões e captação inicial de capital de até US$ 4,2 bilhões por meio de investidores com participações minoritárias a longo prazo. A FIFA defendia que a Copa do Mundo não estava à venda e que a iniciativa só avançaria com o respaldo da maioria de suas 211 associações-membro.

Os fundos da FFE, segundo o organismo, seriam distribuídos pelo programa de desenvolvimento Fifa Forward já existente, aumentando o repasse de US$ 8 milhões por federação no ciclo 2023–2026 para US$ 20 milhões no ciclo de 2027–2030. Com a opção adicional chamada Fifa Fast Forward (FFFP), cada federação acessaria mais US$ 20 milhões no mesmo período.

Rejeição e recuo de Infantino

O projeto, no entanto, não prosperou. A rejeição de UEFA, Confederação Asiática de Futebol (AFC) e Concacaf foi determinante, e o encerramento do plano foi selado quando a Conmebol também recusou apoio. Três dias após anunciar oficialmente a iniciativa, Infantino recuou.

“Criou divisões de tal natureza que, independentemente do nível de apoio, já não redundam em benefício do objetivo inicialmente proposto”, justificou o presidente da FIFA ao comunicar o cancelamento do plano.

A UEFA havia sido a primeira confederação a rejeitar a proposta de forma frontal. As 55 federações europeias se pronunciaram de maneira unânime: não participariam das competições da FIFA se a iniciativa seguisse em pé.

UEFA endurece o tom contra a gestão

Longe de dar por encerrado o assunto com a retirada do projeto, a UEFA endureceu sua posição contra a cúpula da FIFA:

“Não podemos seguir assim, com planos secretos tramitados pela via rápida, idealizados por pessoas anônimas e de benefício duvidoso para o esporte. Devemos identificar os responsáveis e exigir que prestem contas”, advertiu o organismo europeu em comunicado.

A UEFA afirmou que a direção atual da FIFA “não apenas perdeu a confiança da UEFA, mas também a de muitos outros membros da família do futebol”, antecipando que nenhuma opção será descartada na revisão legal que fará com suas federações.

O organismo recordou ainda as promessas feitas por Infantino ao se candidatar à presidência da FIFA em 2016, quando assegurou que os recursos serviam exclusivamente “para o desenvolvimento do futebol e para nada mais”.

“Em ambas as promessas, não cumpriu”, sentenciou a UEFA, destacando que as reservas da FIFA superam US$ 5 bilhões e que esse capital permanece “inativo na conta bancária” da entidade.

A UEFA anunciou que trabalhará com parceiros globais para propor uma nova forma de distribuir esses recursos por meio do programa Fifa Forward existente, mas sem recorrer à venda de ativos a investidores privados.

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