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O reverendo Martin Luther King Jr. caminha pela varanda do Lorraine Motel em Memphis, 3 de abril de 1968

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Governo dos EUA divulga milhares de documentos secretos sobre Martin Luther King Jr.

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O governo dos Estados Unidos liberou nesta segunda-feira (21) mais de 240 mil páginas de documentos sigilosos que revelam a intensa vigilância conduzida pelo FBI contra Martin Luther King Jr., ícone da luta pelos direitos civis. Os arquivos estavam sob segredo judicial desde 1977 e foram divulgados agora pelo Departamento de Justiça, apesar dos apelos contrários da família do ativista e da organização religiosa que ele liderava.

A decisão cumpre uma promessa de campanha do ex-presidente Donald Trump, que, em janeiro deste ano, já havia anunciado a intenção de tornar públicos registros sobre a morte de King e também dos irmãos John F. Kennedy e Robert F. Kennedy. A divulgação foi coordenada pelo Gabinete do Diretor de Inteligência Nacional (ODNI), liderado por Tulsi Gabbard, que confirmou a liberação de cerca de 230 mil páginas apenas relacionadas ao assassinato de King, ocorrido em abril de 1968.

Segundo o ODNI, os documentos nunca haviam sido digitalizados e permaneceram por décadas “acumulando poeira em instalações do governo federal”.

A publicação dos arquivos ocorre em meio à pressão de apoiadores do movimento MAGA, que exigem mais transparência do governo sobre ações encobertas de órgãos federais. “Se você contar à base de pessoas que o apoiam sobre crimes de traição do estado profundo, interferência eleitoral, chantagem e cabalas malignas da elite rica e poderosa, então você deve derrubar todos os inimigos do povo”, escreveu a deputada republicana Marjorie Taylor Greene, em postagem na rede X (antigo Twitter).

Os documentos revelam que o FBI monitorou King de perto entre as décadas de 1950 e 1960, em uma operação voltada a enfraquecer sua imagem pública e desestabilizar o movimento negro por direitos civis. Entre as práticas relatadas estão escutas telefônicas ilegais e acusações infundadas de ligações com o comunismo, usadas como justificativa para perseguições durante a Guerra Fria. Em anos recentes, o FBI reconheceu os abusos cometidos.

Martin Luther King Jr. foi assassinado a tiros em 4 de abril de 1968, em Memphis, no estado do Tennessee, quando ampliava sua atuação para pautas econômicas e em defesa da paz. O crime foi atribuído a James Earl Ray, que inicialmente confessou o assassinato, mas depois se retratou. Ray morreu na prisão em 1998.

Em nota, os filhos do líder, Martin Luther King III e Bernice King, pediram que os arquivos sejam analisados com responsabilidade. “Nosso pai foi vítima de uma campanha invasiva, predatória e profundamente perturbadora”, escreveram, referindo-se ao então diretor do FBI, J. Edgar Hoover.

A família afirmou que montou uma equipe própria para examinar o material e advertiu que qualquer uso indevido dos documentos será repudiado.

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