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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou neste sábado (21) estar “extremamente preocupado com o cenário global atual”, durante discurso na 10ª Conferência da Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (Celac). O petista destacou o aumento de tensões internacionais e criticou a postura da comunidade internacional diante de crises humanitárias.
Segundo Lula, o mundo enfrenta “a maior concentração de conflitos desde a Segunda Guerra Mundial”, avaliação que ele já havia feito em outros pronunciamentos recentes sobre a escalada de guerras e instabilidade global .
Durante a fala, o presidente defendeu a soberania dos países latino-americanos e criticou interferências externas. “Temos insistido que é preciso parar e refletir sobre o nosso comportamento. Não somos mais países colonizados. Nós conquistamos soberania com a nossa independência. Nós não podemos permitir que alguém possa se intrometer e ferir a integridade territorial de cada país”, declarou.
Lula também voltou a questionar o papel do Conselho de Segurança da ONU, afirmando que os países com assento permanente acabam contribuindo para conflitos, em vez de evitá-los. A crítica ocorre em meio a reiteradas manifestações do presidente sobre a perda de credibilidade da organização internacional .
“Quando é que a ONU vai convocar uma reunião extraordinária para que a gente decida qual é o papel dos membros do Conselho de Segurança? Por que que não se renova? Por que não se coloca mais países? […] Eu estou como ser humano, como democrata, como presidente do Brasil, indignado com a passividade dos membros de Segurança”, afirmou.
Sem citar diretamente os Estados Unidos ou o presidente Donald Trump, Lula criticou ações norte-americanas envolvendo Cuba e Venezuela. “Não é possível alguém achar que é dono dos outros países. O que estão fazendo com Cuba agora. O que fizeram com a Venezuela. Isso é democrático? Em que parágrafo, em que artigo da Carta da ONU está dito que um presidente de um país pode invadir o outro?”, questionou.
O presidente também abordou a disputa global por recursos naturais, como minerais críticos e terras raras, afirmando que há interesse externo sobre riquezas da América Latina. “Agora, eles querem ser donos dos minerais críticos e das terras raras que nós temos. […] É a chance da América Latina não aceitar ser apenas exportador de minerais para eles. Ou seja, quem quiser que venha se instalar e produzir no país para que a gente tenha chance de desenvolver os nossos países”, disse.
Ao encerrar o discurso, Lula defendeu o fortalecimento do multilateralismo e reforçou a importância da paz para o desenvolvimento global. “O que constrói uma guerra, a não ser mortos e destruição?”, concluiu.
